Contas

Ex-autarca de Mirandela coloca em causa resultados de auditoria

Ex-autarca de Mirandela coloca em causa resultados de auditoria

O ex-presidente da câmara de Mirandela não acredita nos resultados preliminares da auditoria financeira revelados, na quinta-feira, pela atual autarca, Júlia Rodrigues, que dão conta de uma derrapagem de seis milhões no valor real da dívida do Município, aproximando-se dos 26 milhões de euros.

António Branco, que geriu a autarquia entre 2012 e 2017, começa por dizer que não conhece o relatório preliminar, apenas o que saiu na comunicação social. "Não acredito numa auditoria a pedido do executivo e paga a uma empresa privada quando podia ter sido solicitada gratuitamente a entidades públicas como a IGAL, à DGAL e até ao Tribunal de Contas, que a fariam de uma forma séria", afirma o ex-autarca do PSD.

Além disso, António Branco não entende como estes valores, agora apresentados, não constam do último relatório de contas da autarquia aprovada na assembleia municipal de 27 de abril. "Nessa altura, a presidente de câmara já devia ter conhecimento destes valores e não verteu os resultados na prestação das contas. Então é um relatório falso", diz.

António Branco lembra ainda que as contas do Município, desde 2012, são auditadas semestralmente pela Direção-Geral das Autarquias Locais e pelo Tribunal de Contas. "Estivemos constantemente a ser auditados, porque como a autarquia está sob um plano de saneamento financeiro, as auditorias são feitas de seis em seis meses", adianta António Branco que diz estar de consciência tranquila. "Apesar das dificuldades fizemos obras e conseguimos diminuir a dívida. Tenho orgulho do que fiz e estou de consciência perfeitamente tranquila", refere.

O autarca que perdeu as eleições autárquicas para Júlia Rodrigues lembra que deixou muita obra para concluir. "Mirandela tem quase 30 milhões de euros de fundos comunitários contratualizados e não sei se vão ser executadas. As que estão em curso, como as quatro escolas, bem como o acesso Norte e o santuário, foram lançadas por mim. É claro que representam um peso financeiro para a câmara mas onde estão as outras como a expansão da zona industrial e a segunda fase do acesso Norte?", questiona Branco.

O ex-autarca entende que esta auditoria se trata de mais um fait-divers do executivo socialista. "Não passa de uma desculpa a presidente esconder a incapacidade de cumprir o que prometeu aos munícipes, como a redução do IMI para a taxa mínima e do preço da água", conclui António Branco que espera pelos resultados definitivos do relatório da auditoria.