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"Não haverá mais comboios na Linha do Tua devido à barragem"

"Não haverá mais comboios na Linha do Tua devido à barragem"

Os comboios não voltarão a circular na Linha do Tua, considerou o administrador da CP Nuno Moreira, adiantando que a empresa não pretende assegurar "indefinidamente" transportes alternativos às Linhas do Corgo e Tâmega, que custam anualmente 221 mil euros.

"Do lado da Linha do Tua, é conhecida publicamente a situação da barragem e é uma situação que, a meu ver, é irreversível. Não haverá mais comboio na Linha do Tua devido à barragem", disse Nuno Moreira, à Lusa.

A CP é a responsável pela exploração comercial dos cerca de 60 quilómetros da última via férrea do Nordeste Trasmontano, entre Mirandela e o Tua, que se encontra encerrada há mais de dois anos, depois de quatro acidentes com outras tantas vítimas mortais. Durante este período, foi aprovada a construção da barragem de Foz Tua que submergirá 16 quilómetros da linha, cortando a ligação à rede nacional ferroviária.

Confrontado com estas declarações, o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, considera que "já não são novidade nenhuma". O autarca, que sempre lutou contra a barragem, já dá o facto como consumado e que "a linha do Tua acabou tal como existia".

Segundo o autarca social-democrata, também o metro de Mirandela, que ainda circula, entre a cidade e Cachão, vai acabar dentro de "três a quatro anos", logo que esteja executado o plano de mobilidade.

Em troca da barragem, vão ser investidos 35 milhões de euros para criar um novo plano de mobilidade na zona, que implica um pequeno troço de via férrea da estação do Tua ao paredão, um funicular, dois barcos para levarem os passageiros até à Brunheda e comboio até Mirandela.

No resto das linhas transmontanas, a viabilidade das linhas parece difícil. O administrador da CP responsável pelos serviços regional e de longo curso explicou que nas linhas do Corgo e Tâmega "foram encontradas deficiências" que obrigaram a obras estruturais.

A Refer - Rede Ferroviária Nacional concluiu que "não valia a pena estar a fazer remendos sobre as linhas", explicou Nuno Moreira, acrescentando que foi decidido encerrar as linhas, fazer uma reestruturação e moderniza-las.

"Agora cabe à Refer fazer as obras", avisou.

As linhas do Tâmega, entre a Livração e Amarante, e do Corgo, entre Vila Real e a Régua, foram encerradas para obras que, entretanto, foram suspensas para "reavaliação".

Sobre os transportes alternativos que a CP está a assegurar devido ao encerramento destas linhas, o administrador disse que a empresa "não tenciona manter indefinidamente" esta solução.

"Não faz sentido a CP estar a fazer serviço rodoviário e, por outro lado, tem de se ver se naqueles locais existem ou não concessionários rodoviários, ou seja, se se justifica estar a fazer aquele serviço", disse, referindo que os transportes alternativos só serão mantidos caso se conclua que são "essenciais à mobilidade das populações".

Na Linha do Tâmega, os serviços rodoviários entre Livração e Amarante representam um custo anual de 133.000 euros, enquanto na Linha do Corgo os serviços rodoviários Vila Real - Régua custa 88 mil euros por ano à CP, segundo dados da empresa.

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