Mirandela

Linha do Tua encerrada por ordem do Governo

Linha do Tua encerrada por ordem do Governo

A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, anunciou o encerramento temporário da Linha do Tua até se apurarem as causas do acidente que ocorreu, esta sexta-feira, com uma composição do metro de Mirandela.

Ana Paula Vitorino, que se deslocou ao local do acidente, disse que espera agora "relatórios muito aprofundados" da CP, Refer e Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, porque "sem condições não pode ser autorizada a reabertura da linha".

A secretária de Estado, que contactou no local com os técnicos que analisaram o veículo sinistrado, disse que "uma primeira análise não há registo de anomalias na linha ou no material circulante".

A governante adiantou que a Refer faz manutenção da linha de 15 em 15 dias para analisar seu estado de conservação e de acordo com os resultados da última vistoria estava em condição de ser utilizada.

"Mas o que é facto é que o acidente ocorreu, por isso vamos ver e analisar seriamente o que se passou", acrescentou.

Apesar de sublinhar que "o serviço ferroviário é muito importante para o desenvolvimento deste território e para o sistema de mobilidade do país", Ana Paula Vitorino lembrou que"as pessoas também têm de se sentir seguras".

"Gostava que houvesse condições para manter a linha", acrescentou, lembrando que houve quatro acidentes em ano e meio. Nos dois primeiros, disse, as causas estão devidamente identificadas: pedras que caíram para a linha.

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Em consequência, foram realizados trabalhos de consolidação da encosta e reduzida velocidade de circulação das composições. O inquérito aberto após o terceiro acidente ainda não foi concluído.

 Após tomar conhecimento dos resultados das análises já feitas do local, onde se deslocaram esta manhã brigadas de investigação da Polícia Judiciária de da GNR, a secretária de Estado considerou que a assistência foi prestada de forma atempada e garantiu que até ao momento não foram detectados indícios de explosões no local.

A governante afirmou ainda que, independentemente da discussão em torno da construção ou não da Barragem do Tua, "enquanto houver serviço ferroviário ele tem de ser seguro. Por isso há que identificar os problemas que subsistem".

Defendendo que a ferrovia é importante para o sistema de mobilidade da região, Ana Paula Vitorino afirmou que se a barragem for construída a EDP terá de assegurar alternativa.

"O promotor terá de minimizar impactos negativos, incluindo submersão da linha", disse adiantando que a solução pode passar por uma nova linha a uma cota diferente ou noutro local.

Por coincidência, a secretária de Estado fez quinta-feira o circuito da Linha do Tua nos dois sentidos, em turismo, tendo-se visto obrigada a regressar um dia depois ao local por uma tragédia.

"Lamento profundamente que tenha ocorrido este acidente. Está a ser prestado todo o apoio a aos feridos e aos familiares da vítima mortal", disse.

O Presidente da CP, Cardoso dos Reis, que acompanhou a secretária de Estado na deslocação, disse que ainda esta semana a composição acidentada foi vistoriada, não havendo qualquer indicação de que tenham sido problemas mecânicos a causar o acidente.

"O Transporte ferroviário é dos mais seguros que há. Normalmente nunca acontecem acidentes. Em 120 anos, este foi o quarto acidente na Linha do Tua", todos no último ano e meio, disse.

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