Mirandela

Menina cega continua sem resposta da escola

Menina cega continua sem resposta da escola

Aluna de Mirandela ainda não tem professor de braille e não foi contactada por psicólogos do agrupamento. Prova prevista para hoje foi adiada

No dia em que o JN revelou o desespero de Matilde Sampaio, a menina cega de 11 anos que frequenta o sexto ano na escola básica Luciano Cordeiro, em Mirandela, por não ter professor especializado em braille desde o início do ano letivo, a mãe ainda não foi contactada por ninguém do Agrupamento de Escolas. "Nem sequer um telefonema da psicóloga da escola, a perguntar se precisamos de alguma ajuda. Sentimos que não temos qualquer apoio e a minha filha também está a sentir-se cada vez mais desiludida", lamenta Patrícia Costa. Da parte da direção da escola não foi possível obter declarações.

A mágoa dos pais de Matilde por esta situação é ainda maior por estar a acontecer num agrupamento que está incluído na rede de escolas de referência criada pelo Estado para a inclusão de alunos cegos e com baixa visão, em que uma das condições previstas para oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos, é precisamente ter um professor do quadro especializado em braille. A professora que estava destacada está de baixa e a sua substituição ainda não foi concretizada, mesmo depois de a direção da escola "ter procedido à sua substituição nas diversas reservas, mas até ao momento não há candidatos", referiu o diretor do agrupamento, Carlos Lopes, na passada quarta-feira.

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A boa notícia é que a prova de Matemática que estava marcada para esta sexta-feira acabou por ser adiada. "Foi dito que seria para os meninos terem mais tempo para estudar, mas para a Matilde isto é só o adiar do problema porque se não vier um professor de braille, ela não vai poder estar à altura dos outros e tenho receio que comece a isolar-se", refere Patrícia lembrando que a sua filha sempre foi uma aluna de excelentes notas. "Raramente tirou menos de 95% nas provas e agora sem manuais e sem professor de braille não sei como vai ser, tenho medo que ela comece a sentir-se de parte e uma criança de 11 anos não sabe lidar com isto", afirma.

O dia-a-dia de Matilde na sala de aula da escola Luciano Cordeiro, desde que começou o ano letivo, em meados de setembro, tem sido pouco motivador. "Só estou lá a ouvir, porque de resto não tenho os recursos que preciso para estudar, não tenho ninguém que me passe os documentos para braille, então tenho de fazer a dupla função de professora de braille e aluna ao mesmo tempo", refere a aluna que ambiciona vir a ser psicóloga.

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