Vila Flor

Polémico aniversário do presidente da câmara até gerou um "mea culpa" dos funcionários

Polémico aniversário do presidente da câmara até gerou um "mea culpa" dos funcionários

O aumento do número de infetados por SARS.CoV2 (covid-19) nas últimas duas semanas, em Vila Flor, está aquecer o debate político entre o PS, que lidera o executivo camarário, e a oposição, através da Candidatura Acreditar, coligação PSD-CDS, que nas redes sociais tem criticado fortemente o presidente do município, Fernando Barros, por ter participado numa festa de aniversário que lhe foi preparada pelos funcionários, no dia 8 de outubro, nas instalações municipais.

"Foi com consternação que tomamos conhecimento, através da comunicação social, que enquanto são exigidos sacrifícios a todos, o Presidente da CM celebrou o seu aniversário nas instalações da CM no dia 8 do corrente mês. Se há coisa que esta pandemia veio demonstrar é que todos somos iguais, iguais em relação ao vírus e iguais na responsabilidade do comportamento para com a sua propagação", explicou a coligação Acreditar através de um comunicado publicado no Facebook.

Nas últimas duas semanas o número de casos positivos em Vila Flor chegou aos 66, sendo que o surto que mais preocupa as autoridade da Saúde Pública é do da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia, com um total de 24 infetados (20 utentes e quatro funcionários). Há casos positivos também no Agrupamento de Escolas, no próprio município e um caso na corporação de Bombeiros Voluntários, ainda que, segundo o vereador Abílio Evaristo, tenham surgido após o dia 11 de outubro.

"Foram tomadas de imediato todas providências necessárias", sublinhou o autarca, negando ainda qualquer relação com a comemoração do aniversário do presidente da câmara os casos positivos que surgiram depois.

Porém, num município onde o PS está no poder há mais de 20 anos, a Direita tem esgrimido todos os argumentos disponíveis para criticar a alegada festa de aniversário. "Foi difícil escutar palavras de desvalorização do ato, a atitude teria que ser de completa humildade e assunção de responsabilidade. Exigir-se-ia um pedido de desculpas a todos os Vilaflorenses, a quem é exigido o sacrifício de prescindir de tanto e agora são confrontados com esta celebração do aniversário do Presidente, simultaneamente líder da Proteção Civil em Vila Flor. Por esta altura, a questão é: estará o Presidente acima de nós? ele pode ... nós não? ", referem os responsáveis pela Coligação Acreditar.

Face à polémica criada, principalmente no Facebook, e em conversas de café, tanto mais que Vila Flor é terra pequena onde todos se conhecem, os funcionários do município apressaram-se a lançar um comunicado onde defendem o presidente da Câmara, Fernando Barros: "Os funcionários desta autarquia, perante acusações que têm sido proferidas contra o senhor presidente da Câmara não podem permitir injustiças e inverdades e, por este meio, vêm esclarecer a população sobre a veracidade dos factos: o presidente Fernando Barros foi surpreendido no dia do seu aniversário, no dia 8 de outubro, num gesto informal, por parte de alguns funcionários, a maior parte dos quais já trabalha num espaço aberto por motivo de obras no edifício da Câmara", esclarecem. "Se alguém deve ser responsabilizado, somos nós, os funcionários, quem de facto preparou aquele momento".

Na mesma nota sublinham que o aniversário foi anterior à declaração do Estado de Calamidade, no dia 14 de outubro, e que a 8 de outubro não havia casos positivos agora conhecidos, pois "o primeiro só foi referenciado pela Saúde a 11 de outubro e tinha origem exterior ao concelho", acrescentam os funcionários municipais.

O vereador, Abílio Evaristo, que também participou na referida celebração do aniversário de Fernando Barros, garante que não se tratou de uma festa de aniversário porque foi "uma mera surpresa, sendo muito exagerado dizer que foi uma festa, porque apenas foi um gesto simples, em que se comprou um bolo ao fim da tarde, mas os presentes estiveram sempre de máscara e a cumprir as regras que se dizem da Direção-Geral da Saúde, num espaço amplo", esclarecendo ainda que o presidente "até tinha estado todo o dia fora da Câmara" e quando chegou ao fim da tarde foi surpreendido com um bolo.

No município chegou a haver 12 casos positivos mas a maioria já recuperou, segundo o vereador. "Os primeiros casos deste surto que agora existe surgiram no dia 11 de outubro e não têm nada a ver com funcionários do município, depois é que passou para os funcionários do município por via dessa contaminação. Começou no Agrupamento de Escolas, onde um familiar de um funcionário da câmara também testou positivo", explicou Abílio Evaristo que se queixa de "aproveitamento político de baixo nível e descarado" por parte da Direita de Vila Flor sobre um assunto "que só diz respeito aos funcionários e a quem esteve presente", frisou.

O vereador garante que a situação covid-19 em Vila Flor "está controlada" e que a situação da Unidade de Cuidados Continuados é a que mais preocupa. "As informações que tenho é que as pessoas estão estáveis e bem, mas pode ser um local mais problemático porque os utentes têm muitas fragilidades. No Agrupamento de Escolas quando a cozinheira testou positivo houve uma mudança de toda a equipa. Há uma turma em isolamento, por causa do familiar de um aluno que testou positivo. Por precaução estão em casa", referiu Abílio Evaristo.

A Coligação Acreditar é que está pouco convencida das explicações e ataca o presidente do município. "Devemos dizer que o Presidente do município não esteve à altura da responsabilidade nele confiada, admitiu a celebração do seu aniversário, refutou responsabilidades, desvalorizou o ato, deu respostas lacónicas", afirmam num comunicado, onde lamentam que o Executivo Camarário tenha votado contra a proposta da oposição, Candidatura Acreditar, apresentaram, na reunião de Câmara de 26/10 para a apresentação diária de um boletim epidemiológico. Esta proposta não foi aceite pelo Executivo por não estar na ordem de trabalhos.

Outras Notícias