Religião

Toques de sinos nas igrejas da Guarda e velas à janela em Proença-a-Nova para celebrar a Páscoa

Toques de sinos nas igrejas da Guarda e velas à janela em Proença-a-Nova para celebrar a Páscoa

A pandemia suspendeu os 270 momentos da Quaresma em Idanha-a-Nova, mas os fiéis estão a encontrar outras formas de assinalar aquela que é considerada a celebração mais importante dos católicos.

A colocação da "Cruz à porta" no Domingo de Ramos foi prova que o tempo de restrições tem servido para as famílias católicas ganharem um "hábito novo" no tempo da Quaresma. A ideia da Diocese da Guarda foi aproveitada por muitos beirões que se apressaram a fazer cruzes de pau ornamentadas com vegetação e flores.

A Covid-19 alterou por completo o dia-a-dia e suspendeu os momentos da Quaresma, mas os fiéis estão a encontrar outras formas de assinalar uma das mais importantes celebrações dos católicos.

No tempo em que não são autorizadas celebrações comunitárias, tanto dentro das igrejas como no exterior, as tradições ficam este ano na memória para regressarem para o ano: as procissões e as celebrações como a comemoração da Última Ceia e da Paixão e Morte do Senhor Jesus na Sexta-Feira Santa e a Vigília Pascal.

Muitas das missas serão transmitidas pelos respetivos párocos pela Internet. É o que vai acontecer em Monsanto, com a ajuda do jornalista João Pedro Mendonça, filho da terra. "O pároco dispôs-se a fazer a celebração planeada, mesmo sem a presença física dos fiéis. Farei a transmissão online no Facebook, para que possam ver e partilhar e a gravação para posterior emissão na Rádio Clube de Monsanto. De quinta a domingo teremos outras iniciativas online a marcar simbolicamente cada um dos momentos fortes da celebração Pascal", adianta.

Da Diocese da Guarda, vem o apelo de D. Manuel da Rocha Felício para "que os sinos toquem festivamente, em todas as igrejas".

Em Idanha-a-Nova, onde a celebração da Quaresma está profundamente enraizada na comunidade, um grupo de cidadãos desafia a celebração dentro de portas do Sábado de Aleluia. Todos os anos uma multidão pega em apitos ou chocalhos e percorre as ruas de Idanha para expressar de forma ruidosa a sua alegria pela ressurreição de Cristo.

A iniciativa "Aleluia em Casa", criada pela população, ganha este sábado à noite. Às 21 horas, sai um carro com som exterior do largo da Igreja Matriz de Idanha-a-Nova, que irá percorrer as ruas da vila ao som do hino a Nossa Senhora do Almortão.

A população é desafiada - mas também os idanhenses espalhados pelo mundo - a vir para a janela ou varanda, munidos de apitos, chocalhos, tachos ou outros objetos barulhentos, para se juntarem à celebração que tem a participação da Banda Filármónica.

Este é um dos eventos que integra a agenda dos mistérios da Páscoa, com 270 tradições quaresmais e pascais que as populações realizam durante 90 dias e que este ano ficaram suspensas.

Uma vela pelos mais sós

Em Proença-a-Nova, a empresária Joana Pereira desafia as pessoas, a recriar da forma possível uma tradição da vila de Sobreira Formosa. "Na Quinta-Feira Santa, todas as terras da proximidade da Igreja Matriz juntavam pinhas e tochas e com o fogo desenhavam o nome da aldeia. Ao longe todos viam a luz e todos sabiam que, mesmo longe, estavam juntos". Joana pede assim que a população coloque uma vela à janela para levar ao conforto aos que estão sozinhos.

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