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Memórias de um hospital que "prendia" doentes durante anos

Memórias de um hospital que "prendia" doentes durante anos

Hospital Rovisco Pais inaugurou, na Tocha, um museu que conta a história da única leprosaria nacional.

Lucília Marques, 78 anos, tinha apenas três anos quando lhe foi diagnosticada lepra (doença de Hansen), a maleita infecciosa que afeta a pele, nervos periféricos, sistema respiratório e visão e que a ela lhe levou um dedo da mão esquerda e deixou marcas pelo corpo. Aos oito, foi com a mãe desde Alvaiázere ao Hospital Colónia Rovisco Pais, a única leprosaria nacional, na Tocha, Cantanhede, e onde ontem foi inaugurado um museu, na antiga capela do hospital. A ideia é que a história da doença e aquele património "não fiquem esquecidos", explicou o enfermeiro Luís Pratas, da administração do Rovisco Pais.

Lucília teve alta anos depois, mas preferiu ficou com a mãe e a estada prolongou-se por 26 anos. Ali aprendeu a ler e a escrever, a bordar, trabalhou atendendo outros doentes e fazendo limpezas. Casou e teve dois filhos, que lhe foram retirados para evitar contágios e com quem só conviveu anos mais tarde.

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