Coimbra

Café "A Brasileira" reabre na Baixa 17 anos após encerramento

Café "A Brasileira" reabre na Baixa 17 anos após encerramento

"A Brasileira", café histórico da Baixa de Coimbra que tinha desaparecido em 1995, reabriu, esta quinta-feira, ao público por iniciativa de um pasteleiro da cidade, após ter acolhido uma loja de pronto-a-vestir durante alguns anos.

Fundado em 1928, o café "A Brasileira" constituiu uma referência da intelectualidade de Coimbra, antes e depois do 25 de abril de 1974, tendo funcionado como um dos espaços de tertúlia mais emblemático da cidade.

Os jornalistas Albano da Rocha Pato e José Carlos de Vasconcelos (este ainda nos tempos de estudante universitário), o advogado antifascista Alberto Vilaça e os professores catedráticos Paulo Quintela, Vitorino Nemésio e Abílio Hernandez, da Universidade de Coimbra, foram alguns dos frequentadores daquele espaço da rua Ferreira Borges, próximo do largo da Portagem.

"Eu agora já sei que esta casa é mesmo importante. Vamos em frente, estamos no local certo e no espaço certo", disse esta tarde à agência Lusa o novo proprietário do café "A Brasileira", Lúcio Borges.

Ainda sem conhecer bem a importância histórica e cultural do café, o industrial de pastelaria procurou durante algum tempo, na Baixa, um imóvel onde pudesse instalar uma unidade de cafetaria.

"Este não foi o espaço que eu escolhi de início. Foi o último e o mais caro, mas é o melhor, não haja dúvidas", declarou.

As obras de remodelação foram inteiramente assumidas por Lúcio Borges, que não revela o montante do investimento.

"Procurei financiamentos, mas nada, desde o turismo aos bancos, ao estado em geral", sublinhou.

Numa primeira fase, "A Brasileira", que, nos anos 90 do século passado, foi o último café da cidade a servir exclusivamente o chamado "café de saco", vai empregar 14 trabalhadores.

Estará sempre aberta todos os dias da semana, incluindo sábados e domingos, das 07:00 às 24:00.

Nos anos 60, "A Brasileira" acolheu de algum modo a emergência do movimento de renovação da música de Coimbra.

O jornalista Rocha Pato, pai do médico e músico Rui Pato, era um dos clientes habituais daquele espaço.

Acabou por ser Rocha Pato a promover os primeiros registos da obra musical de José Afonso. Rui Pato, seu filho, que em 1961 era um jovem de 16 anos, participou nessas gravações.

Em 2005, Alberto Vilaça, dirigente histórico do PCP de Coimbra, publicou o livro "" mesa d'A Brasileira. Cultura, política e bom homor", editado pela Calendário de Letras.

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