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Coimbra

Leilão da cerâmica Ceres com propostas desoladoras

Leilão da cerâmica Ceres com propostas desoladoras

O leilão dos bens móveis da cerâmica Ceres, empresa de Coimbra falida recentemente, rendeu propostas aquém das expectativas, com valores muito abaixo dos que estavam a ser licitados inicialmente. Os bens estão avaliados em 800 mil euros.

Nenhum licitador inscrito fez propostas pelo “recheio” total da fábrica, tendo-se passado a propostas por lotes. O lote que mais se aproximou do valor licitado foi o primeiro, composto pelo material de escritórios. Estava avaliado em 5100 euros e registou uma oferta de 4600, que será analisada até amanhã pela comissão de credores. Houve um lote avaliado em 40 mil euros que teve como maior proposta cinco mil e outro de 70 mil que não teve melhor do que uma oferta de 14 mil, valores considerados “inaceitáveis” pelo licitador.

Para o administrador da insolvência, Manuel Melo, “as propostas não atingiram os valores que se esperavam. A comissão de credores tem de se pronunciar sobre isso, se aceita ou não. Há sempre a esperança de conseguir, na negociação particular, valores minimamente consentâneos com o que temos aqui”, contou à Lusa.

Opinião semelhante tem o coordenador do Sindicato das Indústrias Cerâmicas do Centro. Jorge Vicente entende que “o leilão correu muito mal, até porque as expetativas eram altas. É uma fábrica que estava a trabalhar, e segundo o ex-administrador tinha condições para laborar já amanhã”.

Entre os artigos licitados incluem-se dois empilhadores (um com uma oferta de 5100 euros, outro com uma de quatro mil) um automóvel ligeiro, com uma proposta de 1400 euros, e um camião que recebeu uma oferta de 11 500 euros. O lote maior, que envolvia uma grande parte do material da fábrica, estava avaliado em 620 mil euros, tendo recebido uma proposta de cerca de um terço desse valor. Para Jorge Vicente, “a grande esperança” é nos terrenos e no estabelecimento industrial. Os terrenos ascendem a 70 mil metros quadrados. E, salvo uma alteração no Plano Director Municipal (PDM), terão de ser usados para fins industriais.

Os trabalhadores da Ceres, presentes em grande maioria no leilão, têm créditos na ordem dos cinco milhões de euros.    

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