Pandemia

Uma vacina igual às outras, mas diferente na emoção

Uma vacina igual às outras, mas diferente na emoção

As máscaras esconderam os sorrisos, mas os olhos não. A felicidade irrompeu, logo de manhã, este domingo, pelo Hospital Pediátrico de Coimbra, onde começaram a ser vacinados contra a covid-19 os profissionais de saúde do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Foram 720, ao longo de todo o dia. Segunda, terça e quarta-feira serão mais. No total, dos cerca de 8.500 funcionários dos CHUC, 6.500 responderam ao questionário que lhes foi enviado e onde lhes era perguntado se queriam ser vacinados. Desses, a grande maioria - 96%, mais precisamente, que corresponde a 6.240 profissionais - respondeu que sim.

Os horários da vacinação estavam previamente agendados. Após a chegada ao hospital, os profissionais de saúde tiveram que se dirigir a uma pré-triagem, para confirmar a presença. E, depois, aguardar a chamada. O entusiasmo pairava no ar. Sentia-se nas vozes, nos risos e nas palavras de reencontro. À vez, em grupos de 10, eram reencaminhados para o exterior do edifício, onde está montada uma estrutura modular, devidamente equipada para funcionar como posto de vacinação.

Joaquim Moita, pneumologista, entrou no "contentor" pouco depois das 13.30 horas. Garante que chegou "tranquilo" e foi também com aparente tranquilidade - mesmo com o burburinho que causou a chegada da ministra da Saúde, Marta Temido - que foi encaminhado para um dos 10 postos, onde 10 enfermeiros estavam a postos para administrar mais vacinas contra a covid-19.

Durante a manhã, já haviam apanhado o ritmo: 60 pessoas vacinadas por hora, uma a cada 10 minutos. "Vim tranquilo. Mas não posso deixar de dizer que tudo isto, o facto de estarmos aqui a começar este processo, causa alguma emoção", contou, ao JN, já depois de ser vacinado.
Joaquim Moita diz que não sentiu "nada" de anormal durante o ato de vacinação. Só mesmo "felicidade".

Quando recebeu o questionário, o clínico especialista em pneumologia não vacilou em dizer "sim". "Acredito profundamente na importância desta vacina. É uma grande esperança para o controlo da pandemia. E vermos que a vacinação se está a concretizar é algo a que não conseguimos ficar indiferentes", sublinhou, emocionado. Afinal, "quando as pessoas querem, conseguem".

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"Reações? Só o frio"

Na entrada do "contentor" que serve de posto de vacinação, há uma sala de emergência, com uma equipa em permanência, para qualquer eventualidade. Mas, pelo menos até ao início da tarde, mal tinha sido utilizada. Já no final da vacinação - um processo que não demora mais do que cinco a 10 minutos, como em qualquer outra vacina -, os profissionais de saúde eram reencaminhados novamente para o interior do hospital, onde tinham que aguardar 30 minutos, para esperar alguma eventual reação adversa.

Foi nesse caminho que encontrámos Rui Dias, médico ortopedista. Mais um que não teve "qualquer dúvida", quando foi chamado para a vacinação. "Os portugueses devem ter confiança na ciência e nesta vacina, para tentar debelar uma das graves epidemias deste século", apelou. Para si, aceitar ser vacinado é "um ato cívico, de proteção individual e coletiva". E reações, sentiu alguma? "Só frio, o que é um bom sinal nesta época do ano", brincou.

Segundo explicou ao JN fonte do CHUC, algumas profissionais de saúde ainda não responderam ao questionário por estarem a aguardar aconselhamento médico, devido a situações específicas da saúde de cada um. Podem fazê-lo, ainda, nos próximos dias e aceitar receber a vacina.

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