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Há 16 anos a construir presépio

Há 16 anos a construir presépio

A paixão por presépios de Manuel Cruz Silva, 82 anos, engenheiro reformado, da Figueira da Foz, levou a que tenha dedicado os últimos 16 anos à construção de um destes símbolos natalícios. Mas ainda não está concluído.

Aos cinco anos começou por ajudar a montar o presépio em casa. Já então participava nos autos pastoris vicentinos ajudando o pai a manter viva uma das mais emblemáticas tradições de Natal de Buracos, na Figueira da Foz

No piso térreo de uma casa da família na Rua Tomás de Aquino, em pleno coração de Buarcos, Manuel Silva passa a maior parte dos dias. Divide o tempo entre o trabalho de manutenção e ampliação do presépio e a organização dos objectos que fazem parte das diferentes colecções que detém. Uma de porta-chaves, outra de documentos ligados a Buarcos e à Figueira da Foz (velhos jornais, cartazes de espectáculos, crachás dos ralis de fim de ano na Figueira da Foz, histórias e registos sobre a emblemática colectividade Caras Direitas, contos, poemas, fotografias), garrafas (vazias e de bons vinhos) e uma que salta logo à vista pela originalidade. Numa prateleira têm dezenas de frascos com diferentes areias com a identificação das praias onde foram recolhidas um pouco por todo o mundo.

O mundo é também o mote para que anualmente o presépio seja ampliado de forma temática. São mais de 400 peças que recriam o espírito do mundo na época em que o Menino Jesus nasceu e das evoluções que foi sofrendo. As figuras centrais, do Menino Jesus, Virgem Maria e São José, foram compradas tinha Manuel Silva 18 ou 19 anos em Lisboa, para onde foi jovem estudar e depois fez carreira como engenheiro químico. As restantes têm sido adquiridas ao longo dos anos e oferecidas por familiares e amigos que já lhe conhecem a paixão.

Houve anos em que não foi fácil. A trabalhar em Lisboa, Manuel Silva só chegava a Buarcos na véspera de Natal depois de almoço e até ao jantar tinha de dar conta das decorações. Quando se reformou há 16 anos e voltou à terra onde nasceu, o tempo passou a sobrar. Começou então por organizar o que ao longo dos anos tinha juntado e a montar um presépio. As dimensões tornaram-se significativas e nunca mais o desmontou. Apenas limpa, faz a manutenção e vai ampliando.

O presépio de Manuel Silva tem vindo a ser construído a pensar na família, agora mais nas três netas do que nos três filhos já adultos. Mas nunca fecha a porta a quem por lá quiser passar. E já são muitas as crianças de jardins-de-infância e escolas do primeiro ciclo que nesta época o visitam.