Figueira da foz

Noite de Consoada fatal para jovem

Noite de Consoada fatal para jovem

Um despiste, na noite de Natal, ditou a morte precoce de Sérgio Simões, de 28 anos. Depois de ter estado num convívio familiar, com a filha de dois anos, saiu sozinho, de carro, e foi embater num muro em Alhadas, na Figueira da Foz.

Sérgio passou a Consoada feliz, entre familiares, exibindo a filha de apenas dois meses e, em seguida, cada um foi para sua casa, conta o pai, Joaquim Simões. Pouco depois da uma da madrugada, um antigo companheiro de jogos de futebol, Gonçalo Ferreira, procurava um sinal de vida no pulso de Sérgio, que tinha embatido, precisamente, no muro da sua casa, em Alhadas de Cima.

O pai não sabe para onde ia àquela hora, nem porquê. "Estava aqui em casa quando ouvi passar os bombeiros. Mas só soube de manhã, quando me ligaram a perguntar se estava tudo bem com o meu filho", conta, na varanda da sua casa, em Caceira de Cima.

Joaquim Simões não encontra explicação para o sucedido: "Ele esteve em casa dos padrinhos, connosco, a festejar. Foi mostrar a minha netinha, porque havia pessoas que não a tinham visto. Mas nunca imaginei que, àquela hora, ainda fosse sair". A neta é a sua preocupação maior. "Eu hei-de ser pai dela agora!", exclama, diante da família e amigos, que o seguem de olhar mudo e compreensivo. Magoa-o que a menina não vá lembrar-se de Sérgio - "Em dois meses, não teve tempo de conhecer o pai!" - e não pára de pensar em voz alta. "Ele estava no início da vida, a filha fez no domingo dois meses... O destino é muito triste!", dispara.

"Destino" é uma palavra que lhe salta muito da boca de Joaquim Simões. E enumera as razões para que isso aconteça: "A última coisa que ele fez, a todos os familiares, foi dar uma foto da menina"; "O Sérgio Eduardo acabou por ir morrer à casa de uma amigo dele!; "Uma antiga namorada dele morreu, num acidente, há uns anos, e agora, por ironia do destino, ele vai ficar a duas ou três campas dela".

Sérgio Simões, casado, serralheiro de profissão, ia fazer 29 anos nos primeiros dias de Janeiro. Perdeu a vida a poucos quilómetros de casa, em circunstâncias que estão por apurar. Segundo os Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, o alarme foi dado por um vizinho que ouviu o estrondo.

Gonçalo Ferreira chegou dos festejos de Consoada e viu fumo junto à casa. Os meios de socorro ainda não tinham chegado e só mais tarde percebeu quem era a pessoa a quem tentava sentir o pulso. "Isto foi um pandemónio. Os bombeiros viram tanto sangue no carro que andaram a vasculhar tudo, à procura de mais alguém. Mas ele estava sozinho", recorda.

Francisco Vaz, amigo de longa data da família lesada, que estava ontem no local, pejado de curiosos, não deixava de questionar: "É normal, numa noite de Consoada, acontecer isto?".