Incêndios

Lousã prepara-se para o calor com receio do fogo

Lousã prepara-se para o calor com receio do fogo

A previsão para esta terça-feira na Lousã é de 44 graus e, pouco depois das 10 horas da manhã, os termómetros já marcavam 30. A população resguarda-se como pode e teme que o fantasma dos incêndios esteja de regresso.

"Nos últimos anos tem andado calmo. Espero que ninguém se lembre de atear fogo estes dias", conta Carlos Quaresma, reformado que passeia próximo da Câmara Municipal, e que defende penas mais pesadas para incendiários. "Há cinco anos vivemos aqui um terror e não aconteceu nada a ninguém. Ao fim de meio ano estão cá fora", lamenta, recordando o pesadelo que a vila viveu a 15 de outubro de 2017.

Apesar do calor, o lousanense garante que vai andar na rua. "Com maior ou menor dificuldade aguenta-se. Não sou de andar por casa", aponta.

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Uns metros à frente, Otília Reis, antiga costureira agora aposentada, resguarda-se como pode, à sombra de um toldo. "Vim só às compras e estou à espera do meu marido para ir para casa. Depois não saio de lá, que está mais fresco", garante.

Otília está emigrada nos Estados Unidos há mais de seis décadas, estando na Lousã de visita, e garante nunca ter lá apanhado o calor que tem feito em Portugal. "Há dias de muito calor, mas nada como aqui", revela.

Cuidados nos lares

No Lar da Santa Casa da Misericórdia da Lousã há 80 utentes. A enfermeira coordenadora do Lar, Maria João Carvalho, conta ao JN que esta semana é de grande preocupação com os utentes, devido às altas temperaturas.

"Desde o início da manhã que os vestimos com roupas frescas e, de preferência, de cor clara, mas respeitando os seus gostos pessoais ou o momento que estão a passar. Por exemplo, quem está a fazer o luto, respeitamos essa posição. Temos os espaços todos ventilados, as atividades, estes dias, serão todas no interior do lar, e temos pontos de água em todo o lado. Quem não tem mobilidade, fazemos rondas com água", descreve a enfermeira.

Sendo o edifício recente, ainda não está equipado com ar condicionado, mas Maria João Carvalho garante haver ventoínhas em todos os pontos onde há utentes. "Os quartos são ventilados entre as sete e as oito da manhã e depois voltam a ser a partir das 18 horas", explica, completando que os doentes acamados têm ventoínhas todo o dia.

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