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Sindicato dos Maquinistas pede sistema redundante de segurança

Sindicato dos Maquinistas pede sistema redundante de segurança

O presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ), António Domingos, defendeu esta sexta-feira a existência de um sistema redundante de segurança nas vias férreas.

O descarrilamento de um comboio Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, fez hoje dois mortos, seis feridos graves e 19 feridos ligeiros. O comboio seguia no sentido Sul-Norte e o descarrilamento ocorreu após o embate entre o Alfa Pendular e uma máquina de trabalho.

António Domingos explica que o Alfa Pendular tem um sistema de controlo automático de velocidade, que supervisiona o cumprimento da sinalização e, caso as normas não sejam cumpridas, aciona o sistema de travagem automático, o que não acontece com as máquinas de manutenção que circulam na via.

"A Dresine não tem esse equipamento que supervisiona a condução da tripulação. Se essa máquina de manutenção da via tivesse esse equipamento embarcado, provavelmente o acidente não se daria, isto numa primeira abordagem, sem conhecer pormenores", disse António Domingos, em declarações à agência Lusa.

O presidente do SMAQ considera a ferrovia "um sistema seguro" e, embora realce que "o risco zero não existe", entende que as condições podem ser melhoradas.

"É uma falha estas máquinas de manutenção não terem este sistema de supervisão, que é um sistema redundante de segurança, que permite suprimir falhas da tripulação. Evita ultrapassagens do sinal, que não sei se foi o caso", acrescenta o presidente da estrutura sindical.

Tendo em conta os mecanismos de supervisão, António Domingos entende que, "à partida", o Alfa Pendular circulava à velocidade permitida.

O presidente do SMAQ informou que o sistema, preparado para transmitir informações "a cada momento", não deteta obstáculos na via, como é o caso da máquina de manutenção de catenárias, que estava "num local onde não devia estar".

No caso de o maquinista se aperceber, não seria possível travar a tempo.

"Num comboio a 180 quilómetros à hora, se o maquinista travar de emergência, demora mais de mil metros a imobilizar", explica António Domingos.

O dirigente sindical espera que as causas e responsabilidades sejam apuradas através de um inquérito rigoroso.

"Gostava era que houvesse um inquérito rigoroso, que fossem apuradas responsabilidades e que essas responsabilidades tenham efeitos a nível de quem permite certas situações, porque isto não pode acontecer", enfatiza o presidente do SMAQ, António Domingos.

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