Medicina

Milagre de Rufino dá volta ao Mundo

Milagre de Rufino dá volta ao Mundo

A história de Rufino Borrego, português do Alandroal que esteve numa cadeira de rodas durante 43 anos em resultado de um diagnóstico médico errado, e que recuperou a locomoção e a vida, está a correr Mundo.

Depois de, no domingo, o "Jornal de Notícias" ter contado, em primeira mão, a sua história - de como este homem de 61 anos voltou a andar depois de passar a tomar três comprimidos diários -, foram vários os órgãos de Comunicação Social do Planeta a recuperar a notícia. O artigo foi mencionado em publicações internacionais através de menções ao JN mas também a agências internacionais noticiosas, que difundiram o caso, como a France-Presse.

A alteração de um diagnóstico de distrofia muscular progressiva, do tipo Becker, para um de miastenia congénita, ao fim de 43 anos, pode ser lida em vários jornais europeus, mas também em latitudes mais longínquas, como Japão, Índia, Paquistão, Austrália, Nova Zelândia e Jamaica. Alguns portais norte-americanos como o AOL News e o Yahoo fizeram igualmente eco do caso. De resto, basta fazer uma pesquisa rápida no Google para se ter uma noção do impacto mediático da história.

Rufino Borrego consegue fazer hoje o que em criança não conseguia. Aos oito anos, era mesmo o pai que o transportava, numa bicicleta, para a escola, onde o professor dizia conhecer bem aquela doença: preguiça.

Aos 13 anos, estava numa cadeira de rodas e, com 24, em 1979, o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, diagnosticou distrofia muscular congénita. Após vários tratamentos em Alcoitão, até aos 42 anos, desistiu. Apenas em 2008, por insistência da sobrinha que queria saber se podia vir a ter a mesma doença de que o tio e a mãe sofriam, é que Rufino Borrego regressou ao hospital. Aí, a neurologista Teresinha Evangelista, que guarda boas memórias do caso, como referiu ontem ao JN, desconfiou do diagnóstico e após um eletromiograma, em 2009, e um estudo genético, em 2010, feito pelo Instituto de Munique, reviu o diagnóstico de Rufino, alterando-o para uma miastenia congénita por mutação do gene DOK 7. Em maio de 2011, tomou Ventilan, cujo princípio ativo - salbutamol - tem um efeito benéfico para quem sofre desta rara doença e, no dia seguinte, entrou pelo próprio pé no café onde vai todos os dias.