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Rufino Borrego passou a ser "embaixador" da sua doença

Rufino Borrego passou a ser "embaixador" da sua doença

Desde que a sua história foi publicada na edição de domingo do JN que Rufino Borrego tem recebido telefonemas de doentes que, ou têm a mesma doença e querem partilhar experiências, ou desejam tirar dúvidas, uma vez que ao lerem a reportagem perceberam que podem ter os mesmos sintomas de miastenia congénita, a doença que um médico confundiu, há 43 anos, com distrofia muscular progressiva e o deixou preso a uma cadeira de rodas até há seis anos.

"Hoje sinto-me um embaixador da doença. Já recebi um telefonema de uma senhora do México a perguntar como fazia para saber se sofria do mesmo que eu", diz, impressionado, ao JN, o reformado de 61 anos do Alandroal que toma agora três comprimidos de um fármaco para a asma e ganhou a mobilidade que nunca teve em criança.

O fármaco, Ventilan, tem efeitos benéficos para portadores de miastenia congénita com mutação do gene específico DOK7, como ele.

O alandroalense diz que o telefonema do México foi o que mais o surpreendeu. "A senhora quis saber que exames fiz e onde foram realizados até ter o diagnóstico de miastenia congénita", afirma Rufino Borrego, tendo explicado que foi por intermédio da sobrinha, que quis saber se também sofria da doença do tio e da mãe, que encontraram a neurologista Teresinha Evangelista que, desconfiada, fez vários exames, até chegar à conclusão do diagnóstico trocado.

O mesmo sucedeu com outra cidadã de Beja, cujo estudo clínico está a ser realizado, mas ainda não tem os resultados, e um homem do Porto, que queria ser visto por um novo especialista. "Isto faz-me sorrir", diz Rufino, orgulhoso por a sua história ter "aumentado as expectativas de melhoria da qualidade de vida dessas pessoas". O outro ponto alto foi mesmo ter visto Teresinha Evangelista, ainda que por fotografias também através do JN. "Ainda não a consegui contactar, mas gostava muito de poder falar com ela novamente", confessa.

Entretanto, o alandroalense quer voltar à sua rotina pacata e espera que "o desassossego dos últimos dias", com jornalistas portugueses e estrangeiros, cesse. "Entre entrevistas telefónicas a falar sempre do mesmo, a marcações para programas televisivos, tem sido um desassossego e tenho de descansar", finaliza.

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