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Proprietário de pedreira diz que havia margem de segurança para estrada

Proprietário de pedreira diz que havia margem de segurança para estrada

O proprietário de uma das pedreiras que engoliu parte de um troço da estrada nacional 255, entre Borba e Vila Viçosa, Évora, garante que havia condições de segurança, da exploração e da via que ruiu.

"A segurança estava lá", disse Jorge Plácido Simões, proprietário de uma das duas pedreiras afetadas pela derrocada. "Não quero estar a exagerar, mas havia uma margem de cinco seis metros para a estrada. A pedreira tinha um muro e rede de proteção", acrescentou, em declarações à SIC Notícias, esta terça-feira de manhã.

Empresários do setor do mármore, ouvidos pela Lusa, esta terça-feira de manhã, consideram que a tragédia "tragédia" poderia ter "sido evitada" porque "os problemas" da estrada estavam identificados.

O presidente da Câmara de Borba, António Anselmo, disse, esta terça-feira, que "nunca na vida" foi informado da alegada perigosidade da estrada junto às pedreiras, argumentando que empresários do setor queriam cortar a via, mas para ampliar a extração de mármore.

Jorge Simões disse ter um relatório elaborado pelo Instituto Superior Técnico a garantir a estabilidade da pedreira, sustentando que fez os trabalhos que aqueles estudos, realizados em "2011 ou 2012", consideraram necessários. Esclareceu que a exploração estava desativada há cerca de um ano "por não ser viável" economicamente.

Sustentando que está a colaborar com as autoridades, Jorge Simões diz que já reuniu com a Proteção Civil e "a prioridade é começar a tirar a água para tentar chegar aos escombros e tirar os corpos" que estarão na pedreira. "Já mandei vir bombas que tinha noutros locais para fazer isto o mais depressa possível", acrescentou.

O trabalho, no entanto, será difícil, uma vez que "a água liga várias pedreiras", pelo que ao extrair de uma pode entrar água de outra. O responsável distrital da Proteção Civil considerou que o resgate das vítimas constitui uma operação "de grande complexidade".

"Eu diria de complexidade extrema. Estamos perante um desafio tremendo daquilo que são as operações de resgate que nos esperam nas próximas horas, nos próximos dias e, provavelmente, nas próximas semanas", assinalou, referindo que não pode, para já, indicar o tempo que as operações vão demorar: "Serão muito morosas, muito delicadas".

Um número indeterminado de pessoas está desaparecido desde a tarde de segunda-feira, quando um troço da E255, entre Borba e Vila Viçosa, desabou para dentro de duas pedreiras contígua àquela via, uma pertencente a Jorge Plácido Simões, desativada, e outra à empresa A.L.A. Almeida, em laboração.

Segundo o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Évora, José Ribeiro, "dois operários da empresa que explora aquela pedreira foram arrastados", sendo estas as duas vítimas mortais que é possível confirmar.

Citando relatos, o comandante avançou, em conferência de imprensa ao início da noite de segunda-feira, que terão sido arrastadas duas viaturas com um número desconhecido de ocupantes. Uma retroescavadora, que seria de uma empresa que opera numa das pedreiras da zona, também foi arrastada, tendo já sido localizada pelas autoridades.

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