Tragédia

Um ano e cinco mortos depois da tragédia, estrada de Borba continua igual

Um ano e cinco mortos depois da tragédia, estrada de Borba continua igual

Um ano após a derrocada para o interior de duas pedreiras em Borba, a EM255 continua cortada ao meio, familiares e herdeiros dos cinco mortos foram indemnizados e o inquérito tem nove arguidos.

O alerta para o acidente foi dado às 15.45 horas de 19 de novembro de 2018, quando um troço de cerca de 100 metros da Estrada Municipal 255, entre Borba e Vila Viçosa, colapsou, com um grande volume de rochas, mármore e terra a deslizarem para duas pedreiras contíguas, uma em laboração e outra desativada.

O desastre causou a morte de dois operários da empresa de mármore, na pedreira ativa, quando o aluimento provocou "o deslocamento da retroescavadora" que operavam, e de três homens que seguiam em duas viaturas automóveis na estrada que ruiu e que caíram para o plano de água da pedreira desativada.

Os 13 dias da operação, rodeada de complexidade e que a Proteção Civil chegou a qualificar como tendo "dimensão ciclópica", foram sendo marcados pela retirada dos corpos.

O Ministério Público (MP) instaurou um inquérito, ainda em curso, para apurar as circunstâncias da derrocada, dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, coadjuvado pela Polícia Judiciária (PJ).

21 testemunhas

Recentemente, o MP revelou que foram ouvidas 21 testemunhas e constituídos nove arguidos, um deles uma pessoa coletiva. Para o encerramento do inquérito, em segredo de justiça e com declaração de "excecional complexidade", decorrem diligências para obter "elementos de prova documental" e de "prova pessoal".

A EM255 continua cortada. O troço que ruiu permanece "esboroado" para o interior dos poços, onde se pode ver terra vermelha, pedras e blocos de mármore, assim como água, na pedreira desativada.

O acesso, do lado de Borba e de Vila Viçosa, está interrompido e as câmaras não anunciaram qualquer intervenção para repor a via.

As empresas de mármores recorrem a uma estrada alternativa para aceder às pedreiras na zona e, para os automobilistas, a opção é a variante entre Borba e Vila Viçosa, que liga à A6.

1,6 milhões de euros foi o valor aproximado da indemnização paga pelo Estado aos 19 familiares e herdeiros das cinco vítimas mortais da queda da estrada.

191 casos de pedreiras em situação crítica identificados por um estudo a nível nacional feito pelo Ministério do Ambiente, 55 deles no Alentejo.

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