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Idosos infetados em lar do Redondo sem assistência médica há seis dias

Idosos infetados em lar do Redondo sem assistência médica há seis dias

Os 19 utentes do Lar Terceiro Éden, no Redondo, que se encontram infetados com covid-19, não receberam qualquer assistência médica, desde que souberam os resultados dos testes, no dia 11 de janeiro. Os idosos estiveram a ser acompanhados apenas por duas proprietárias do lar e por uma funcionária, sem qualquer formação na área da saúde, até a Segurança Social disponibilizar três pessoas, duas das quais enfermeiros, na quinta e na sexta-feira.

Marta Alfaiate, diretora técnica e proprietária do Lar Terceiro Éden, explica ao JN que, após a primeira funcionária testar positivo, no dia 7 de janeiro, comunicou a situação ao delegado de saúde e ao presidente da Câmara do Redondo, pelo que, no dia seguinte, foram todos testados. Contudo, tiveram de aguardar até aos dias 10 e 11 para conhecer os resultados: 12 deram negativo e nove positivo.

"O delegado de saúde esteve aqui, no dia 11 ou 12, de manhã, e disse que todos os utentes que estavam negativos seriam retirados do lar, mas como a Câmara não tinha espaço, nem camas, não retiraram nenhum", conta Marta Alfaiate. "Por isso é que, quando vieram repetir os testes, os outros já estavam infetados", lamenta. À exceção de dois idosos que deram negativo.

Enquanto aguardava pela conclusão dos testes, a diretora técnica diz que isolou os utentes nos quartos duplos, para reduzir o contacto uns com os outros. No entanto, sem saber, acabou por juntar pessoas infetadas com Covid-19, embora sem sintomas, com outras que viriam a testar negativo. "Foi muito tempo sem saber os resultados", justifica.

A assegurar os cuidados dos 21 idosos, apenas com o apoio da mãe, que confecionava as refeições, e de uma funcionária, ao longo de nove dias, Marta Alfaiate diz que o cansaço só diminuiu quando a Junta de Freguesia começou a fornecer as refeições, desde o dia 12. Na quarta-feira, contactou a Segurança Social, que disponibilizou três pessoas para as ajudar, nos dois dias seguintes, no âmbito das "brigadas de intervenção rápidas", criadas para darem apoio na área dos recursos humanos aos lares.

Uma morte

Neste espaço de tempo, faleceu uma idosa infetada, com 95 anos, depois de ter sido transferida para o hospital. "À exceção de dois utentes que estão mais em baixo, porque têm 90 e tal anos, os outros estão a recuperar", assegura a diretor técnica. Para combater o vírus, diz que lhes tem administrado Ben-u-ron e dado chá de gengibre e limão. "Os familiares estão muito preocupados, mas temos conseguido dar resposta", afirma.

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Marta Alfaiate destaca ainda o apoio de um familiar de um idoso, que terá sido determinante para que amanhã esteja prevista a deslocação de uma equipa médica ao Terceiro Éden. O JN ouviu ainda um parente de um utente, que se manifestou indignado pela falta de acompanhamento do delegado de saúde. "Depois de se saber os resultados dos testes, ninguém fez nada. Deixaram as pessoas completamente ao abandono", denuncia. Situação agravada pelo facto de as nove funcionárias que ali trabalhavam não terem regressado, por se encontrarem infetadas, e não ter sido possível substituí-las, devido à dificuldade em encontrar pessoas interessadas em desempenhar essa função.

Em contrapartida, o familiar elogia a atitude das proprietárias do Terceiro Éden, que sempre se manifestam "muito cuidadosas" com os idosos e que, acredita, não terão conseguido resolver o problema mais rapidamente por estarem a assegurar refeições, higiene e tratamento dos utentes. "Não tenho tempo para enviar emails, porque tenho de mudar fraldas, lavar e dar de comer aos utentes", confirma Marta Alfaiate.

O JN tentou obter esclarecimentos da ARS do Alentejo e do presidente da Câmara de Redondo, António Recto, sem sucesso.

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