Ilha do Farol

Cruzes marcam segundo dia de posse administrativa de casas no Algarve

Cruzes marcam segundo dia de posse administrativa de casas no Algarve

A sociedade Polis Ria Formosa concluiu, esta quinta-feira, a tomada de posse das construções identificadas como ilegais na ilha do Farol, no segundo dia da operação, sob fortes protestos da população.

Escoltados pela Polícia Marítima, os técnicos da Polis tomaram posse de 18 das 19 construções previstas para esta quinta-feira. De fora ficou uma construção por estar ativa em tribunal uma providência cautelar. Na quarta-feira, a toma de posse abrangeu 12 das 15 casas previstas para o dia, dado que três estavam protegidas por providências cautelares.

As construções assinaladas esta quinta-feira, na maioria precárias, situam-se no núcleo histórico da ilha do Farol, em Faro, onde foram construídas as primeiras casas de pescadores e onde já aconteceram demolições em 1986.

A operação decorreu sem incidentes, embora os moradores tenham apupado os técnicos da Polis gritando palavras de ordem e tentando por vezes impedir a entrada em algumas das habitações e arrancar editais.

Vestidos de negro, os moradores manifestaram-se carregando cruzes pela praia, enquanto acompanhavam os elementos da Pólis que marcaram as casas para posterior demolição.

A primeira casa assinalada, cerca das 9 horas da manhã desta quinta-feira, pertence a uma "família de pescadores" e foi construída "há mais de 50 anos", disse o presidente da Associação de Moradores da Ilha do Farol, Feliciano Júlio.

Aparentemente, o contingente da Polícia Marítima destacado para esta quinta-feira é menor que a de quarta-feira, o primeiro dia da tomada de posse, que ficou marcado por protestos ruidosos e por um reforço policial que desagradou aos moradores.

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No total, deverão ser demolidas 56 casas na ilha da Culatra, 34 no núcleo do Farol e 22 nos Hangares. São habitações situadas a menos de 40 metros da linha de água.

"As casas estão próximas da água devido à falta de areia e isso deve-se à extração de inertes, sem fiscalização e com a cumplicidade do Estado português", disse Feliciano Júlio.

A Sociedade Polis Litoral Ria Formosa foi criada em 2008 com vista a uma operação integrada de requalificação e valorização da orla costeira na ria Formosa, entre Vale do Lobo, no concelho de Loulé, e Vila Real de Santo António.

No núcleo dos Hangares, em Olhão, a tomada de posse administrativa de 22 casas está marcada para 2 de março.

* com Lusa

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