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Demolição de casas avança dentro de um mês na ilha da Culatra

Demolição de casas avança dentro de um mês na ilha da Culatra

Concluída a terceira fase de expropriações na ilha da Culatra, as demolições avançam dentro de um a dois meses, adianta o presidente da Sociedade Polis, José Pacheco.

Com a tomada de posse administrativa, esta quinta-feira, ficou concluída a expropriação de 47 casas para demolir na ilha da Culatra: 17 no núcleo dos Hangares e 30 no núcleo do Farol.

"As demolições devem avançar dentro de um mês ou pouco mais", disse o presidente da Sociedade Polis, José Pacheco, esta quinta-feira, após a atribulada e tensa expropriação de 17 das 23 casas marcadas, no núcleo dos Hangares.

A obra ainda tem que ser consignada ao empreiteiro, que terá depois que realizar alguns procedimentos de natureza ambiental, nomeadamente, a retirada de telhas de amianto de alguns edifícios, o que requer uma licença, explicou.

José Lezinho, da Associação de Moradores dos Hangares, disse que os moradores estão dispostos a travar a entrada das máquinas na ilha, para preservar as habitações.

"Algumas destas casas têm mais de 100 anos. As pessoas sentem muito isto", disse José Lezinho, justificando o clima de exaltação que rodeou os trabalhos da posse administrativa das casas, na maioria segunda habitação de descendentes de moradores na ilha, esta quinta-feira de manhã.

Quatro pessoas foram assistidas pela Cruz Vermelha, que acompanhou as operações, devido a problemas de tensão alta, disse Pedro Palma, coordenador da Polícia Marítima para a operação de segurança aos elementos da Polis que se deslocaram à ilha da Culatra.

"Correu tudo bem, ninguém se aleijou", disse Pedro Palma, desvalorizando o clima de tensão que rodeou a operação, com a Polícia Marítima a proteger os elementos da Polis, que só conseguiam avançar dentro de um cordão de segurança formado por vários polícias.

Com palavras de ordem "é uma vergonha" e "estão a tirar-nos a nossa vida", os manifestantes seguiram em ruidoso protesto o cordão policial que cercou os técnicos que procederam à identificação das casas, colocando-se em frente às mesmas para dificultar a visão e o acesso às habitações.

Na semana passada, a Polis tomou posse de 30 construções no núcleo do Farol e não de 35, como previsto, por haver cinco com providências cautelares, mas os moradores queixaram-se de ter sido realizada a posse de construções que estavam protegidas por aquele mecanismo legal.

"Sei que as pessoas se revoltaram muito porque tinham intentado providências cautelares [no núcleo do Farol], só que foi no último dia e o tribunal não nos notificou", esclareceu José Pacheco, sublinhando que não se tratou de uma "tomada de força" e que os técnicos da Polis apenas cumpriram a lei.

O mesmo sucedeu, esta quinta-feira, nos Hangares, com pessoas a argumentar que os advogados tinham enviado emails a informar a Polis de que haviam intentado providências cautelares e que as casas estavam a ser expropriadas.

Segundo a Polis, a providência cautelar só é válida se for enviada por carta para a sede da empresa.

Em cada um dos núcleos, Farol e Hangares, foi apenas detetada uma construção de primeira habitação dentro da faixa de 40 metros a contar da linha de água, que foi definida como sendo zona de risco, acrescentou aquele responsável.

Ao todo, em ambos os núcleos, estão sinalizadas 60 construções consideradas ilegais para demolição, embora ainda haja providências cautelares sem decisão do tribunal e casos que estão a ser reavaliados pelo ministério.

Em abril do ano passado, de acordo com os planos da Polis, eram 200 as construções que deveriam ter esse destino, número que em outubro passou para 80 e que agora se cifra em 60, concluiu.

Depois desta quinta-feira, o processo de tomadas de posse nas ilhas-barreira deverá ficar concluído, pelo menos para já, uma vez que a situação só será reavaliada dentro de três anos, em todos os núcleos da Ria Formosa.

* com Augusto Correia e Lusa

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