Lagoa

Obras deixam lojistas à beira do desespero

Obras deixam lojistas à beira do desespero

Quebras de receita recorde num já de si debilitado comércio tradicional, quedas de pessoas devido aos deficientes acessos, trânsito automóvel caótico e um cenário de ruas esventradas por obras sem fim à vistas são, segundo moradores e, sobretudo lojistas, os resultados práticos das obras no núcleo histórico da cidade de Lagoa. A Câmara estranha estas queixas, garante que a intervenção "está a decorrer dentro dos prazos" e diz que tudo foi feito em sintonia com os comerciantes.

"Com as obras, a cidade parece agora o Kosovo", desabafa Paulo Cabrita, artista residente naquela cidade algarvia, referindo-se ao aspeto enlameado das ruas onde a intervenção decorre, a que acrescenta os transtornos causados pelas alterações no trânsito. "Há pessoas a perderem 45 minutos para fazer um percurso que faziam em dois", conta ao JN.

António José Soares, dono de uma sapataria/pronto-a-vestir, não esconde também o desalento. "Isto começou logo em setembro quando vedaram a rua. De então para cá foi o descalabro, Tenho dias que não vendo uma única peça", afirma. O comerciante diz compreender que "as obras têm de ser feitas", mas critica a morosidade. "Têm pouca gente a trabalhar e têm havido constantes alterações, que atrasam tudo", diz.

Informado pelo Facebook

Falta de informação é outra das queixas ouvidas pelo JN. Paulo Jorge Sousa, proprietário de uma farmácia, pediu a transferência provisória das instalações para outra rua, aproveitando para realizar também obras no interior da sua loja. Mas garante que não soube a tempo do início dos trabalhos, caso contrário, teria feito coincidir a sua mudança com a empreitada no centro. "Soube pelo Facebook do presidente da Assembleia Municipal que as obras iam arrancar", conta.

Deste modo, só conseguiu a autorização para a mudança da farmácia há cerca de um mês e meio. "O resto do tempo foram só prejuízos", sublinha.

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Maria das Dores, dona de uma loja de pronto-a-vestir, revela que as quebras de receita são superiores a 60%. "Já perdi as campanhas de outono e do Natal e não vejo fim à vista", desabafa, criticando ainda a lentidão dos trabalhos. "São poucos operários, saem cedo e não trabalham aos fins de semana", diz. Mas a grande preocupação é a segurança: "Já vi caírem duas senhoras e um homem, devido às placas de sinalização, que são autênticas ratoeiras".

Câmara atribui compensações

Fonte da Câmara Municipal de Lagoa disse ao JN "estranhar as críticas" e garante que antes das obras arrancarem foi tudo discutido com os lojistas. "Até foram eles a decidir a cor que pretendiam para o chão", exemplifica.

A mesma fonte adianta que "a obra é complexa" pois visa "converter uma rua do século XIX numa do século XXI". Ainda assim, garante que "não houve qualquer acidente pessoal" e que a Câmara Municipal atribuiu "uma compensação financeira aos comerciantes pelos prejuízos decorrentes da obra".

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