"Dimensão trágica"

Clube pede desculpa pela festa que originou surto de Covid-19 em Lagos

Clube pede desculpa pela festa que originou surto de Covid-19 em Lagos

O Clube Desportivo de Odiáxere (CDO) pediu "desculpas", este sábado, "pela dimensão trágica" da festa que originou um surto de Covid-19 em Lagos. A direção garante ter agido de "boa-fé" ao autorizar a celebração de um aniversário, dia 7, "para um máximo de 20 pessoas".

O pedido de desculpas surge um dia depois de a ministra da Justiça ter anunciado que pediu à Procuradoria-Geral da República a intervenção do Ministério Público (MP) para, em representação do Estado, "instaurar ações indemnizatórias contra os promotores do evento" que levou à infeção de, pelo menos 90 pessoas, entre as quais, várias crianças.

"Atendendo às reais repercussões deste muito triste e infeliz acontecimento, nas suas dimensões humanas e económicas, com transtornos enormes para o concelho, região e país, queremos deixar o nosso mais sincero e humilde pedido de desculpas pela dimensão trágica em que se tornou a nossa resposta positiva à solicitação da realização de uma festa de aniversário de caráter familiar e particular no salão de festas do nosso clube", refere a direção do CDO.

PUB

Em comunicado, a direção explica que "foi solicitado por parte de um particular, a utilização do salão do clube para a realização de uma festa de aniversário de cariz familiar e particular, para um máximo de 20 pessoas". O pedido foi aceite "agindo com base na boa-fé́, após muita ponderação e tendo em consideração a grande dimensão do salão, o número máximo de pessoas previamente acordado, os cuidados de proteção, higiene e o distanciamento".

A festa começou a ser preparada às 14 horas e "decorria com a normalidade prevista". Mas, às 18.30 horas, "o número de pessoas já́ ultrapassava o acordado, momento em que nós, direção do clube, de imediato procedemos à comunicação e denúncia da situação às autoridades".

A GNR ordenou o cancelamento da festa e identificou o organizador, tendo a situação ficado "encerrada" pelas 21.30 horas, depois de o espaço ter sido limpo e de todos já terem deixado o recinto. O CDO assegura que o edifício foi sujeito a uma desinfeção e que um funcionário testou positivo à Covid-19, mas "não foi transmitida no dia 7 de junho".

O MP já abriu um inquérito para apurar as circunstâncias em que a festa ocorreu. "No âmbito do inquérito será avaliado o eventual enquadramento desta factualidade em prática de crime, designadamente de propagação de doença", refere o MP.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG