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No Algarve o verão está vivo e agosto já está a recuperar

No Algarve o verão está vivo e agosto já está a recuperar

A família Santos, vinda de Vila do Conde e que está agora, com o sol a abrir a tarde, a entrar na areia fina da praia de Vale do Lobo, Almancil, concelho de Loulé, define bem o que se passa: "Lá no Norte parece que já é janeiro, guarda-chuvas, impermeáveis, botas, todos cheios de frio; aqui estamos bem, está sol, está calor, é o Algarve, é um belo agosto, até a água, ao contrário do que dizem, está ótima", discorre Raquel Santos já a meter os pés no mar e a sorrir para o provar. "Pelo menos é água mais quentinha do que a nossa do Norte, que é uma água quebra-ossos".

Raquel tem 30 anos, é administrativa, mãe da Beatriz, ano e meio, regalada de fraldas a chapinhar - "ela adora mar" -, está com o marido, pai da pequenina, Bruno Santos, 31 anos, engenheiro mecânico em Vila do Conde, os dois satisfeitos com "o maior resort turístico de luxo de golfe e praia do Algarve". A perceção deles bate certo com a geral: "Talvez menos gente do que noutros anos, o que é ótimo, anda-se mais desafogado, mas ainda assim está cá muita gente. Parece é haver menos portugueses, é verdade?", pergunta Bruno que chegou há oito dias e tem um bronze de invejar.

Era verdade na Páscoa, notou a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), que registou menos 15,7% de portugueses do que em 2018. Era também verdade em julho para todas as nações: baixa de 3% em todos os hotéis do Algarve - taxa oficial de ocupação: 82,5%. Quem veio menos? Holandeses (-17,5%) e alemães (-13,9%). E mais? Irlandeses (+13,7%) e ingleses (+6,4% do que em 2018, segundo a mesma AHETA). Em agosto, o setor espera uma taxa de ocupação de 95%.

É o caso dos nove hotéis da cadeia Vila Galé. Diz Ana Serafim, relações públicas: "Em agosto, as estadias já concretizadas e reservas previstas nos nossos hotéis algarvios estão em linha com 2018. O verão é muito procurado por famílias portuguesas, dada a nossa oferta para crianças, que não pagam até aos 12 anos". O Vila Galé Marina, em Vilamoura, dá o exemplo: "Estamos à beira de esgotar", diz a gerência ao JN. Vilamoura, "o oásis do Algarve", chameja, aliás, de gente: qualquer passeata noturna na marina é um desafio de encontrões, com povo e mais povo a mirar iates, Ferraris, Porsches, Jaguares e demais animais que chamam até si os sonhos lustrosos e as selfies de verão.

Toby Kingsbury, inglês de Oxford, 40 anos, que desde 2008 vem ao nosso Sul, opina sobre idas e vindas de "bifes". "Duas coisas: os ingleses adoram o Algarve e não me parece que alguma vez desistam de vir para cá, este ano até vejo mais; o Brexit [saída do Reino Unido da UE] está a baralhar-nos a todos e se a libra continuar a descer, o que já está a suceder, é natural que os ingleses venham menos. Mas o futuro a Boris pertence", diz Toby, referindo-se ao lunático Boris Johnson, novo primeiro-ministro de Inglaterra, do Partido Conservador, que incitou à saída.

Toby veio com a mulher e os dois filhos, mais a sogra, e entretém-se com os pequenos a jogar críquete na praia de Loulé Velho. "Somos campeões mundiais de críquete, batemos a Nova Zelândia!", diz Toby satisfeito a acenar com o bastão plástico laranja no ar.

No paraíso parecem estar Allan e Christine, ele é luso-francês, ela ucraniana, namoram, estão debaixo dos brandos pinheiros do campismo da praia da Lagoa, um varandim para o mar onde eles estacionaram o Mercedes. "Notamos um pouco menos de gente", diz Allan, estreante no Algarve, a balouçar na cama de rede e a mirar o mar, "para nós está fantastique", diz ele muito devagar e diz ainda estar a adorar.v

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