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EDP cortou eletricidade nalgumas zonas de Monchique por segurança

EDP cortou eletricidade nalgumas zonas de Monchique por segurança

A frente de fogo que está mais próxima de Monchique é visível da vila e está a ganhar força devido ao vento, mas o fogo ainda está a alguma distância da localidade, diz a Proteção Civil. A EDP cortou a eletricidade em algumas zonas por questões de segurança. Há 29 feridos registados.

O combate ao incêndio que deflagra desde sexta-feira em Monchique tem sido dificultado pela intensidade e constantes mudanças de direção do vento e pela dificuldade de acesso dos meios terrestres ao terreno devido à densa vegetação existente, disse ainda a fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro (CDOS).

Segundo constatou o JN no local, esta frente de fogo, de noroeste, entrou no perímetro urbano da vila durante a noite, chegando a menos de um quilómetro do quartel dos bombeiros de Monchique. Pelo menos uma casa ardeu.

Há ainda outra zona preocupante para as autoridades, nas Caldas de Monchique, onde o fogo também está a lavrar "com muita intensidade", acrescentou a Proteção Civil, referindo-se às termas, uma zona situada a cerca de quatro quilómetros da vila de Monchique e onde existem várias unidades hoteleiras, embora todas já tivessem sido evacuadas pelas autoridades no domingo.

Este foco de incêndio obrigou inclusivamente ao corte da Estrada Nacional 266, disse à Lusa fonte da GNR. Esta estrada liga Monchique a Porto de Lagos, de onde depois se segue até Portimão, via Estrada Nacional 124.

A fonte do CDOS referiu também que cerca da meia-noite chegou a haver um corte de energia em Monchique, mas disse desconhecer a causa.

De acordo com a diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio, houve zonas em que o abastecimento de eletricidade foi cortado por questões de segurança "e a pedido da Proteção Civil", nomeadamente Fóia e Caldas de Monchique, distrito de Faro. A mesma responsável adiantou ainda à agência Lusa que há zonas sem abastecimento porque houve estruturas que ficaram destruídas pelo fogo, tendo a EDP colocado geradores nalgumas vilas durante a madrugada.

A EDP conta ter um balanço mais pormenorizado da situação ainda durante a manhã desta terça-feira.

O fogo deflagrou na sexta-feira às 13.32 horas e estava a ser combatido, às 5 horas, por 1187 operacionais, apoiados por 377 viaturas. Com o cair da noite, os meios aéreos, que ultrapassaram a dezena durante o dia, deixaram de operar.

Os meios aéreos recomeçaram esta terça-feira o combate às chamas no incêndio que lavra em Monchique, Faro, que estava às 7.30 horas a ser combatido por 1198 operacionais, segundo a Proteção Civil. O site da Autoridade Nacional da Proteção Civil referia, por essa hora, que cinco meios aéreos estavam a combater as chamas em Monchique, aliados a 377 viaturas.

Ainda segundo a página da Proteção Civil, "regista-se em todo o perímetro [do incêndio] fortes reativações que, associadas à intensidade do vento, tomam de imediato grandes proporções".

Cerca das 20 horas de segunda-feira, o segundo comandante operacional distrital da Proteção Civil de Faro, Abel Gomes, admitiu no 'briefing' aos jornalistas que o incêndio que pelo quarto dia lavra em Monchique voltou a agravar-se sendo o quadro geral da operação considerado "muito complexo".

Segundo aquele responsável, os locais mais preocupantes são a zona da Fóia e o sítio da Cascalheira, ambos em Monchique, e a barragem de Odelouca, já no concelho de Silves.

O número de assistências médicas a pessoas na sequência do incêndio subiu para 95, dos quais, 66 são pessoas que apenas receberam assistência e 29 são feridos, todos ligeiros, acrescentou.

"A situação infelizmente alterou-se, tínhamos uma situação mais favorável e registaram-se várias projeções, as quais tiveram um comportamento bastante violento", assumiu o segundo comandante operacional distrital da Proteção Civil de Faro, Abel Gomes.

Segundo o responsável, o quadro meteorológico "não é favorável", porque vão manter-se temperaturas altas e a humidade relativa vai continuar baixa, o que fazia antever "uma noite dura de muito trabalho".