Algarve

Incêndio dominado em Monchique. Há 41 feridos e 49 desalojados

Incêndio dominado em Monchique. Há 41 feridos e 49 desalojados

O incêndio que lavra há uma semana em Monchique, no Algarve, está dominado desde as 8.30 horas, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

"O incêndio está dominado", disse a segundo comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Patrícia Gaspar, esta sexta-feira de manhã, num encontro com os jornalistas, em Monchique. "Neste momento estão reunidas as condições para se poder dizer que o incêndio não pode sair da zona onde está", acrescentou.

Patrícia Gaspar disse, ainda, que o número de feridos em sequência do incêndio que deflagrou há uma semana aumentou para 41, 40 destes ligeiros, entre estes 22 bombeiros. O ferido grave é a idosa que foi transferida para o hospital de São José, em Lisboa. Há, ainda, 49 pessoas deslocadas, de um total que chegou às 299, quinta-feira de manhã.

O fogo estava a mobilizar 1371 operacionais, apoiados por 442 viaturas e dois meios aéreos às 9 horas da manhã. Patrícia Gaspar diz que "algumas equipas vão começar a desmobilizar", mas "o grosso dos operacionais vai manter-se no terreno" para manter o fogo sob vigilância. "O exército vai colaborar nas ações de rescaldo e vigilância das chamas, substituindo gradualmente os bombeiros. Há pelotão destacados, seis já no terreno, e quatro a caminho, que vão permitir render as forças dos bombeiros", explicou Patrícia Gaspar.

O fogo, que já destruiu cerca de 27 mil hectares, segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), tornando-o no maior este ano em Portugal, está controlado mas ainda não está extinto. "Há ainda alguns pontos quentes e é natural que possam acontecer algumas reativações no terreno", admitiu Patrícia Gaspar, justificando a continuação "do grosso dos meios" no terreno.

"Um helicóptero de reconhecimento" vai fazer o reconhecimento do terreno e ajudar a identificar os pontos quentes, de forma a serem atacados de imediato, deslocando meios para o local e impedindo que o fogo volta a fugir ao controlo. As zonas mais preocupantes para a Proteção Civil continuam a ser todo o perímetro desde São Marcos da Serra até São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves, a área onde ainda se mantém a maior quantidade de meios, referiu.

Este ano, o maior incêndio, em termos de área ardida, que se tinha verificado em Portugal era o que deflagrou em fevereiro na Guarda, onde arderam 86 hectares.

Segundo os dados do EFFIS, as chamas em Monchique já destruíram 26.957 hectares, mais de metade dos 41 mil que arderam na mesma região em 2003, nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

As chamas desde incêndio, que deflagrou na localidade de Perna Negra, já provocaram 39 feridos, um deles em estado grave, obrigaram a evacuar diversos aglomerados populacionais e uma unidade hoteleira.

No ano passado, as chamas destruíram mais de 440 mil hectares, o pior ano de sempre em Portugal, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Quanto aos maiores incêndios em termos de área ardida ocorridos no ano passado, no topo da lista aparece o que teve origem no dia 15 de outubro, em Seia/Sandomil, no distrito da Guarda, que destruiu 43.191 hectares.

ver mais vídeos