Incêndio

Mais de 250 pessoas retiradas de casas em Monchique

Mais de 250 pessoas retiradas de casas em Monchique

Desde a noite de segunda-feira que o vento tem vindo a intensificar-se e a dificultar o combate ao incêndio em Monchique que ainda se encontra com focos por dominar. As operações mantêm-se de "elevada complexidade", segundo a Proteção Civil. Até agora, já foram registados 30 feridos e cerca de 250 pessoas foram retiradas de casa durante a noite de segunda.

A zona a sul da localidade de Nave Redonda, em direção a Casais, e da barragem de Odelouca são os dois locais que estão a pedir mais atenção pelos meios de combate ao incêndio que ainda lavra no concelho. Também as zonas de Rincovo e Nave geram preocupações.

Até ao momento, foram assistidas 79 pessoas e há 29 feridos ligeiros e um grave. Em conferência de imprensa na manhã desta terça-feira, o comandante da Proteção Civil, Vítor Vaz Pinto, não adiantou o número de casas que tiveram de ser evacuadas, mas apontou para cerca de 250 o número de pessoas que foram retiradas de casa por precaução.

Vítor Vaz Pinto referiu a dificuldade no combate às chamas devido ao vento que se fez sentir durante a noite de segunda e que agravou a partir da meia-noite, prevendo-se que continue forte durante o dia. Por este motivo, há constrangimentos na atuação dos meios aéreos. No local estão mais de 1200 operacionais, apoiados por mais de 400 viaturas e 17 meios aéreos - três deles vindos de Espanha.

Ainda assim, haverá uma subida da humidade relativa.

O comandante disse ainda que a expectativa é de que durante a tarde de hoje os bombeiros consigam diminuir a intensidade das chamas nas zonas mais críticas, mas reconheceu que não "será uma tarefa fácil".

Segundo constatou o JN no local, esta frente de fogo, de noroeste, entrou no perímetro urbano da vila durante a noite, chegando a menos de um quilómetro do quartel dos bombeiros de Monchique. Pelo menos uma casa ardeu.

Relativamente às comunicações, Vítor Vaz Pinto garante que "funcionam de acordo com o planeado" e que o SIRESP foi reforçado, referindo que há sempre falhas, mas que "não comprometeram as operações". Sublinhou ainda que "os meios são sempre escassos", mas que estão a ser reforçados e adaptados à situação.

A prioridade, segundo referiu o comandante, é "salvaguardar as pessoas, os bens e o ambiente".

Várias localidades na serra de Monchique estão, no entanto, sem telecomunicações móveis, estando as operadoras a aguardar autorização da Proteção Civil para intervir no terreno e restabelecer a totalidade das comunicações, afirmaram esta terça-feira as empresas.

Este foco de incêndio obrigou inclusivamente ao corte da Estrada Nacional 266, disse à Lusa fonte da GNR. Esta estrada liga Monchique a Porto de Lagos, de onde depois se segue até Portimão, via Estrada Nacional 124.

De acordo com a diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio, houve zonas em que o abastecimento de eletricidade foi cortado por questões de segurança "e a pedido da Proteção Civil", nomeadamente Fóia e Caldas de Monchique, distrito de Faro. A mesma responsável adiantou ainda à agência Lusa que há zonas sem abastecimento porque houve estruturas que ficaram destruídas pelo fogo, tendo a EDP colocado geradores nalgumas vilas durante a madrugada.

O incêndio em Monchique está ativo desde a tarde de sexta-feira.

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