Algarve

Ânimos exaltados na tomada de posse de 17 casas na Ilha da Culatra

Ânimos exaltados na tomada de posse de 17 casas na Ilha da Culatra

A Polícia Marítima teve trabalho redobrado para proteger os elementos da Polis Algarve, em face dos protestos veementes da população, na tomada de posse administrativa de casas na ilha da Culatra, esta quinta-feira.

Moradores, amigos e defensores das habitações manifestam-se de forma ruidosa e veemente, esta quinta-feira. Os manifestantes vedaram a passagem dos elementos da Polis, que andaram sempre protegidos pela Polícia Marítima, durante a tomada de posse administrativa de 17 construções no núcleo dos Hangares, ilha da Culatra. Das 23 na lista, seis tinham providência cautelar.

Com palavras de ordem "é uma vergonha" e "estão a tirar-nos a nossa vida", os manifestantes seguiram em ruidoso protesto o cordão policial que cercou os técnicos que procederam à identificação das casas.

Os manifestantes colocaram-se em frente das casas, dificultando a ação dos elementos da Sociedade Polis, com a Polícia Marítima a abrir caminho com dificuldades, tendo mesmo solicitado a ajuda do presidente da Associação de Moradores dos Hangares, José Lezinho, para que fosse possível a colocação dos editais nas casas a marcar para demolir.

"Algumas destas casas têm mais de 100 anos. As pessoas sentem muito isto", disse José Lezinho, justificando o clima de exaltação que rodeou os trabalhos da posse administrativa das casas, na maioria segunda habitação de descendentes de moradores na ilha.

"Isto foi tudo construído ao lado da Guarda Fiscal, ao longo dos anos. Dizer que é ilegal não é correto", argumentou José Lezinho, sustentando que o núcleo dos Hangares "foi sempre o mais desconsiderado" pelo Estado. "Nunca tivemos direito a água ou a luz, mas resistimos", argumentou.

Moradores do núcleo do Farol, cujas casas foram marcadas a 22 e 23 de fevereiro, juntaram-se aos protestos, esta quinta-feira, nos Hangares. "Era o mínimo que podíamos fazer, depois da solidariedade que manifestaram para connosco", disse o presidente da Associação de Moradores da Ilha do Farol, Feliciano Júlio.

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Das 23 construções notificadas para demolição nos Hangares existem seis com providências cautelares ativas, pelo que a sua posse administrativa ficará suspensa até ser conhecida a decisão do tribunal, garantiu à Lusa o presidente da sociedade, José Pacheco. Entretanto, uma nova providência cautelar elevou para sete as casas sob proteção do tribunal.

Na semana passada, a Polis tomou posse de 29 construções no núcleo do Farol e não de 34, como previsto, por haver cinco com providências cautelares, mas os moradores queixaram-se de ter sido realizada a posse de construções que estavam protegidas por aquele mecanismo legal.

"Eu sei que as pessoas se revoltaram muito porque tinham intentando providências cautelares [no núcleo do Farol], só que foi no último dia e o tribunal não nos notificou", esclareceu José Pacheco, sublinhando que não se tratou de uma "tomada de força" e que os técnicos da Polis apenas cumpriram a lei.

Em cada um dos núcleos, Farol e Hangares, foi apenas detetada uma construção de primeira habitação dentro da faixa de 40 metros a contar da linha de água, que foi definida como sendo zona de risco, acrescentou aquele responsável.

José Pacheco estimou que as demolições avancem no terreno dentro de um mês, explicando que a obra ainda tem que ser consignada ao empreiteiro, que terá depois que realizar alguns procedimentos de natureza ambiental, nomeadamente, a retirada de telhas de amianto de alguns edifícios, o que requer uma licença.

Ao todo, em ambos os núcleos, estão sinalizadas 60 construções consideradas ilegais para demolição, embora ainda haja providências cautelares sem decisão do tribunal e casos que estão a ser reavaliados pelo ministério.

Em abril do ano passado, de acordo com os planos da Polis, eram 200 as construções que deveriam ter esse destino, número que em outubro passou para 80 e que agora se cifra em 60, concluiu.

Depois do dia de hoje, o processo de tomadas de posse nas ilhas-barreira deverá ficar concluído, pelo menos para já, uma vez que a situação só será reavaliada dentro de três anos, em todos os núcleos da Ria Formosa.

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