Guarda

Câmara abre concurso para despoluir o rio Noéme

Câmara abre concurso para despoluir o rio Noéme

A Câmara da Guarda anunciou, esta quarta-feira, a decisão de abrir concurso para construção de uma estação elevatória de águas residuais, que permitirá despoluir o rio Noéme, um curso de água considerado "importante" para o sistema hidrográfico concelhio.

Segundo o presidente da autarquia, Joaquim Valente, na última reunião do executivo camarário foi aprovado o projecto da estação elevatória e decidido abrir concurso para executar a obra, orçada em cerca de 148 mil euros.

O autarca explicou à agência Lusa que o equipamento que vai ser construído na Quinta da Granja, nas proximidades da aldeia de Gata, nos arredores da cidade, encaminhará os efluentes de uma unidade de lavagem de lãs para a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de S. Miguel, retirando-os do rio Noéme.

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"Finalmente poderemos estar cientes de que o rio Noéme deixa de estar poluído, porque é um curso de água importante para o sistema hidrográfico do concelho", declarou.

Joaquim Valente referiu que o investimento será suportado pela autarquia, pelos Serviços Municipalizados e pelos proprietários da fábrica de lavagem de lãs, cujos efluentes, após passarem por uma estação de pré-tratamento, são lançados naquele curso de água originando.

O autarca admitiu que a obra poderá estar concretizada no próximo ano, altura em que aquele curso de água ficará livre de "um foco bastante agressivo e penalizador para o ecossistema".

O rio Noéme é um afluente do rio Côa, que atravessa localidades dos concelhos de Guarda, Sabugal e Almeida.

A situação em que se encontra tem preocupado autarcas, ambientalistas e moradores, tendo mesmo dado origem a uma petição na internet, por iniciativa de Márcio Fonseca, um jovem natural da aldeia de Rochoso, Guarda, que também criou um blogue (www.cronicas-do-noeme.blogspot.com) para alertar publicamente para o estado daquele curso de água.

O defensor da despoluição do Noéme, situação verificada desde finais de década de 1980, disse hoje à agência Lusa que a decisão da Câmara Municipal da Guarda o deixa satisfeito.

"Fico contente que já haja um princípio de decisão, ou um princípio de processo para a construção da obra", disse Márcio Fonseca, esperando que a concretização da infraestrutura "seja breve" e "o necessário para que o rio Noéme fique definitivamente despoluído".

Márcio Fonseca apontou que a decisão da autarquia "é um princípio de solução" e observou que só ficará "realmente contente" e dará o problema por concluído "quando vir peixes na ribeira do Rochoso [rio Noéme]".

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