Saúde

Enfermeiros sem vínculo em protesto na Guarda

Enfermeiros sem vínculo em protesto na Guarda

Entre os mais de 70 precários há profissionais que reforçaram as equipas de combate à Covid-19 e nunca assinaram contrato.

Cerca de 30 enfermeiros concentraram-se esta manhã junto à Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital da Guarda, em protesto contra o vínculo precário que os liga à unidade local de Saúde (ULS) da Guarda. A ação de luta convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) reuniu profissionais que reivindicaram a integração nos quadros da Instituição de Saúde, depois de terem sido recrutados para reforçar as equipas de combate à covid-19, alguns sem qualquer contrato assinado.

"Eu tentei várias vezes junto dos Recurso Humanos para assinar contrato e agora que já passaram 8 meses é que têm feito pressão para assinar o primeiro contrato de 4 meses que iniciei em novembro", disse ao JN o enfermeiro Ricardo Duarte. Situação idêntica é vivida por outros enfermeiros que, além de não terem contrato assinado, já não estão sequer nas alas covid mas antes alocados a outras enfermeiras onde também são necessários. "Nós não podemos aceitar que neste contexto, a ULS abra um concurso de recrutamento, em aberto até amanhã, para admitir mais enfermeiros quando estes que já cá estão vivam situação precária, pelo que não precisamos de mais prova para dizer que a ULS tem estes enfermeiros para suprir necessidades permanentes que exigem contratos sem termo", afirmou Alfredo Gomes do SEP.

Jovens na incerteza

Cátia Martins de 27 anos entrou no Hospital da Guarda em Agosto do ano passado para substituir uma colega grávida que entretanto prolongou a baixa médica até ao presente. A enfermeira deixou a Unidade de cuidados Continuados da Guarda onde já estava efetiva e decidiu arriscar em contexto de grande carência de profissionais por causa do agravamento da pandemia.

"Evoluir na carreira sempre foi uma coisa que desejei muito e acabei por aceitar o contrato de substituição mas as perspetivas de efetivar não são muitas", avançou a enfermeira. "Faz- nos muita falta entrar nos quadros porque quero organizar a vida, comprar casa e não sabemos se vamos estar a trabalhar no próximo mês", referiu ainda Cátia Martins. O mesmo se passa com o colega Tiago Vilão que é natural e residente na Guarda e também ingressou no Hospital vindo da UCC da cidade." Estou no serviço da urgência respiratória desde setembro do ano passado e tenho um contrato de 4 meses e tenho de lutar por este objetivo de efetivar porque quero constituir família e estabilizar", evidenciou. A administração da ULS da Guarda reconheceu que os enfermeiros são necessários e por isso continuam ao serviço. Porém, a efetivação estará dependente de uma autorização da tutela. No dizer da Administração há cerca de 70 enfermeiros em situação precária mas o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses enumerou 86.

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