Incêndios

Resineiro perde 20 mil bicas em incêndios de junho e outubro

Resineiro perde 20 mil bicas em incêndios de junho e outubro

O resineiro João Martins tinha visto arder, em junho, as 10 mil bicas que tinha em Pedrógão Grande. Agora, em outubro, ficou sem as restantes 10 mil que tinha em Seia.

"Nem uma bica. Nada. Foi tudo", desabafa João Martins, resineiro de Seia, que diz que perdeu toda a área que explorava para a recolha de resina.

Em 17 de junho, arderam as 10 mil bicas que tinha na zona do incêndio de Pedrógão Grande, não tendo sequer conseguido fazer a primeira recolha - marcada para julho - e, quando se preparava para a segunda recolha na zona de Seia, arderam as restantes 10 mil bicas que explorava.

"Sempre disse aos meus colaboradores para não ter o trabalho todo concentrado só num sítio. Tinha em concelhos diferentes e em várias freguesias, duma ponta à outra dos concelhos e não restou nada", sublinha João Martins.

O resineiro aprendeu a atividade com dez anos e andou a trabalhar no setor até aos 15 anos, altura em que abandonou a área por causa da crise que se abateu sobre a resinagem.

Tinha regressado à atividade de resineiro há quatro anos e, na sua empresa, sediada em Paranhos da Beira, em Seia, são quatro trabalhadores.

"Isto para a sustentabilidade da empresa é fatal", nota João Martins.

O prejuízo estimado é de cerca de 20 mil euros para a sua empresa, mas não é o prejuízo que o preocupa, mas sim a falta de rendimento para os próximos anos.

"Ficámos sem pinheiros. Não podemos mais trabalhar aqui. Numa empresa normal, em que arde o pavilhão ou as máquinas, faz-se de novo e continua a atividade. Nós, sem pinheiros, ficamos sem atividade. A matéria-prima ardeu quase toda", constata o resineiro, sublinhando que só daqui a 20 ou 30 anos é que os pinheiros voltam a dar resina.

O futuro, confessa, é difícil de encarar.

"Ainda não dá para pensar. Vamos pensar em quê? Só se for em emigrar. Numa região do interior como esta, com tudo queimado, sem indústria, sem nada, o que estamos aqui a fazer? Não sei", comenta João Martins.

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