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Comboios vão mesmo voltar a Barca de Alva

Comboios vão mesmo voltar a Barca de Alva

A exploração turística que justifica a obra vai ser alargada até à Régua.

Várias entidades públicas assinaram, ontem, um protocolo de intenções para reabilitar a Linha do Douro, entre o Pocinho e Barca de Alva.

Coube à secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, homologar o protocolo, no Pocinho (Vila Nova de Foz Côa). No papel lavraram assinaturas os responsáveis da Rede Ferroviária Nacional, Comboios de Portugal, Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e Estrutura de Missão do Douro. Assumem vários procedimentos para que se passe da teoria à prática.

Após a assinatura, o chefe da Missão do Douro, Ricardo Magalhães, colocou emoção ao desenhar estas palavras: "Hoje [ontem] está um dia bonito, hoje é um dia bonito". Porque no cargo que ocupa, há muito se bate (ele e muitos autarcas e entidades da região) pela reabilitação da linha, que compara a um traço negro que faz parte da paisagem classificada pela Unesco. "Já era tempo de os deuses perceberem que nos tínhamos de juntar todos, um dia". Esse dia foi ontem. "É, de facto, um dia bonito, Ricardo!" devolveu-lhe Ana Paula Vitorino, sublinhando que "o Douro é uma marca do nosso país" e, por isso, deve ser "um factor de desenvolvimento económico e de coesão social e territorial".

Entre os antigos ferroviários e populações das localidades que, até 1988, foram servidas pelos comboios reina a desconfiança, ou não estivéssemos a pouco mais de duas semanas de eleições legislativas. Ana Paula Vitorino descansa-os. "Neste momento, passou a ser incontornável, as instituições assumiram responsabilidades que não podem ser paradas por qualquer Governo", frisou.

Ricardo Magalhães acredita que a decisão política de reabilitar a linha "é um gesto efectivo, não é simulado". O autarca de Foz Côa, Emílio Mesquita, também acredita que não vai haver retrocesso na decisão. "Eu já nem estou nessa, neste momento, já estou em Espanha", disse, como quem já dá por assumida a obra e espera que tenha continuidade do outro lado da fronteira. Movida pela mesma ambição, Ana Paula Vitorino prometeu sensibilizar o Governo espanhol para que recupere a linha de comboio que vai de Vega Terrón, junto a Barca de Alva, até La Fuente de San Esteban, permitindo depois a ligação até Salamanca.

Por isso assumiu o compromisso de ser "embaixadora da vontade portuguesa", na próxima cimeira luso-espanhola e nas reuniões frequentes com o homólogo de Madrid.