Ambiente

Autarquia travou desinfeção com hipoclorito na Praia de São Martinho do Porto

Autarquia travou desinfeção com hipoclorito na Praia de São Martinho do Porto

A ação de desinfeção pela Junta de Freguesia na Praia de São Martinho do Porto foi travada pela Câmara Municipal assim que o presidente soube que um trator pulverizava o areal com produtos químicos sem seu conhecimento.

Em causa estava a utilização de um químico com base de cloro, solução de hipoclorito, na pulverização por um trator da Junta.

Ao JN, a Agência Portuguesa do Ambiente esclarece que no dia 2 de maio recebeu denúncia sobre a pulverização com "produtos alixivados" no areal da praia, o que levou ao contacto com a autarquia para apuramento de responsabilidades.

"O presidente da Câmara Municipal de Alcobaça informou não terem os serviços daquela entidade emanado qualquer orientação neste sentido e solicitou, seguidamente, ao presidente da Junta de Freguesia, imediata cessação da operação de limpeza do areal", refere ao JN a APA.

Nesse mesmo dia, a Agência Portuguesa do Ambiente verificou através de vigilantes da natureza que a ação tinha cessado. Ainda assim, avança ao JN, não foi possível perceber a área abrangida pela pulverização.

O presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Clérigo, referiu ao jornal "Gazeta das Caldas" que a solução utilizada foi inferior a 1%. "O depósito tem 400 litros e usámos três litros de hipoclorito", explicou.

Ao JN, a Quercus admite dúvidas sobre o eventual impacto nocivo no ecossistema da praia dum químico que é normalmente utilizado em caixas de areia de jardins-de-infância, as quais são vedadas às crianças num determinado período de tempo. "Uma caixa de areia num parque infantil não tem ecossistema, o areal da praia tem", afirma a ambientalista Telma Costa, que põe também em causa o manuseamento do produto. "Quem controla as quantidades de hipoclorito na solução? Certamente não são os técnicos da autarquia habilitados para este tipo de controlo", acrescenta.

O JN entrou em contacto com a Junta de Freguesia de São Martinho do Porto para perceber em que moldes decorreu a ação e se foi baseado em qualquer recomendação superior, mas não obteve resposta até ao momento.

Em Espanha, o areal da praia de Zahara de los Atunes, em Cádiz, foi desinfetado no final de abril com lixívia e os ecologistas acusaram os responsáveis de atentado ambiental. A presidente da associação de voluntários ambientais de Trafalgar, disse que nem os insetos daquele ecossistema resistiram à desinfeção.

Em Espanha, os tratores fumigaram o areal com uma solução de dois litros de lixívia por cada cem de água. No caso de São Martinho do Porto, de acordo com o presidente da junta de freguesia, foi utilizado um trator com um depósito de 400 litros com três litros de hipoclorito.

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