Alcobaça

Praia de São Martinho do Porto desinfetada com hipoclorito

Praia de São Martinho do Porto desinfetada com hipoclorito

No início de maio, a Junta de Freguesia de São Martinho do Porto desinfetou o areal da praia com uma solução de hipoclorito, químico com base de cloro normalmente utilizado em caixas de areia de jardins-de-infância, que ficam vedados às crianças num determinado período de tempo.

O autarca Joaquim Clérigo referiu ao jornal Gazeta das Caldas que a solução utilizada foi inferior a um por cento. No entanto, ao JN a Quercus menciona o eventual impacto nocivo no ecossistema da praia. "Uma caixa de areia num parque infantil não tem ecossistema, o areal da praia tem", afirma a ambientalista Telma Costa.

A Quercus questiona a fiscalização e o aval dado para esta ação. "Quem controla as quantidades de hipoclorito na solução? Certamente não são os técnicos da autarquia habilitados para este tipo de controlo", admite Telma Costa.

No mesmo sentido, a ambientalista questiona se esta ação é do conhecimento da Agência Portuguesa do Ambiente e se responde a recomendações da Direção Geral de Saúde. "A DGS recomenda a utilização deste tipo de solução nos jardins-de-infância uma vez por ano, nomeadamente nas caixas de areia exteriores que são depois vedadas às crianças durante um determinado período de tempo, o que não acontece na praia", avança Telma Costa.

O JN entrou em contacto com a Junta de Freguesia de São Martinho do Porto para perceber em que moldes decorreu a ação e se foi baseada em qualquer recomendação superior, mas não obteve resposta até ao momento. Também a Agência Portuguesa do Ambiente não respondeu se sabia e se deu aval a esta iniciativa da autarquia.

Em Espanha, o areal da praia de Zahara de los Atunes, em Cádiz, foi desinfetado no final de abril com lixívia e os ecologistas acusaram os responsáveis de atentado ambiental. A presidente da associação de voluntários ambientais de Trafalgar, disse que nem os insetos daquele ecossistema resistiram à desinfeção.

Em Espanha, os tratores fumigaram o areal com uma solução de dois litros de lixívia por cada cem de água. No caso de São Martinho do Porto foi utilizado um trator com um "depósito de 400 litros com três litros de hipoclorito", explicou o presidente da junta, Joaquim Clérigo.

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