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Empresa multada por más refeições escolares serve no Parlamento

Empresa multada por más refeições escolares serve no Parlamento

Associação de pais queixou-se da má qualidade do serviço e da alimentação e autarquia exigiu medidas.

A Câmara da Batalha queixou-se e a tutela foi rápida a reagir. A empresa responsável pelo fornecimento das refeições à Escola Básica e Secundária local, que também trabalha na Assembleia da República, "vai ser multada" pelo Ministério da Educação, por "incumprimento" dos termos contratuais, anunciou ontem o presidente da autarquia, Paulo Batista Santos. Em causa está a alegada falta de comida, a qualidade dos alimentos e os atrasos sistemáticos na distribuição das refeições.

As primeiras queixas começaram a chegar ao Agrupamento de Escolas da Batalha através da Associação de Pais. Apontavam "diversas deficiências de base graves", nomeadamente ao nível da falta de pessoal, de formação e de espírito de equipa. "A situação é dramática e ainda se mantém. É de uma incompetência que não tenho memória de ver numa escola pública", descreveu Paulo Batista Santos ao JN, explicando que no início do ano letivo eram servidas cerca de 800 refeições, e que a sucessão de queixas dos alunos levaram os pais a dar-lhes dinheiro para comerem noutro lado. Neste momento, a empresa está a servir pouco mais de 400 refeições e, ainda assim, "as coisas não estão a funcionar".

Fruto da "má organização", segundo o autarca, "falta comida, há atrasos sistemáticos no fornecimento das refeições, por ausência de recursos, e falta qualidade aos alimentos confecionados", o que tem transformado a escola num "caos insuportável", à hora das refeições. A juntar a tudo isto, são registadas com frequência "graves lacunas ao nível da limpeza e salubridade nos espaços de manuseamento dos alimentos", uma situação considerada incompreensível, tendo em conta que foi colocado à disposição da empresa "um novo refeitório equipado com as melhores condições e equipamentos".

Independentemente da multa que venha a ser aplicada, Paulo Batista Santos assegura que não vai esperar muito mais tempo para que o problema seja solucionado: "Se não for resolvido nos próximos dias, vamos pedir a renúncia do contrato".

O JN tentou obter uma reação da empresa (ICA-Indústria e Comércio Alimentar, SA), mas da sede, em Lisboa, remeteram-nos para a delegação do Porto, onde não estava ninguém disponível para prestar esclarecimentos.

Empresa tem como clientes deputados e universitários

A ICA, a empresa contestada por falta de qualidade no serviço na escola da Batalha, tem no seu portefólio de clientes, além da Assembleia da República, a Universidade Nova de Lisboa e algumas multinacionais, na área das telecomunicações e do ramo automóvel. No seu site, apresenta-se como uma companhia "criativa e dinâmica que procura, no âmbito da sua atividade, a excelência de mercado e a garantia de um serviço de qualidade baseado na formação dos seus colaboradores".

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