Assembleia Municipal

Caldas da Rainha contesta localização de novo hospital no Bombarral

Caldas da Rainha contesta localização de novo hospital no Bombarral

A Assembleia Municipal (AM) de Caldas da Rainha aprovou, por unanimidade, uma moção a contestar a localização do novo hospital do Oeste no Bombarral, apontada num estudo encomendado pela Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCIM).

Na sessão extraordinária da assembleia, realizada na terça-feira à noite, os deputados municipais manifestaram ainda preocupação pelo estado da saúde no concelho, onde a falta de especialistas tem condicionado as urgências do hospital e cerca de "25% da população" não tem médico de família. Da sessão saiu também um novo pedido de audiência à secretária de Estado da Saúde, sendo que a OesteCIM já solicitou uma reunião à ministra Marta Temido.

"A preocupação é geral. Aproximamo-nos do verão, uma época em que há um aumento significativo das pessoas que nos visitam e férias dos profissionais de saúde, o que irá agravar ainda mais a situação", antevê Vítor Marques, presidente da Câmara de Caldas da Rainha.

O autarca lembra que os constrangimentos nas urgências "não são de agora", mas com o caso "fatídico" ocorrido na semana passada, em que uma grávida perdeu o bebé por alegada falta de especialistas de obstetrícia, "tomou-se consciência de quão grave é a situação".

Convicto que o Conselho de Administração do Centro Hospital do Oeste (CHO), que integra a unidade de Caldas da Rainha, "tem feito o que pode", Vítor Marques defende que é necessário "alterar as regras do jogo" ao nível do recrutamento. "Abrem-se concursos, com vagas para o CHO, mas estas não são preenchidas e as lacunas agravam-se", assinala.

Muitas das preocupações do presidente da Câmara foram partilhadas pelas várias bancadas representadas na Assembleia Municipal, numa sessão que tinha como ponto único da ordem de trabalhos a discussão do estudo sobre a localização do futuro hospital do Oeste, cujo "resumo" foi apresentado no início do mês aos 12 municípios que integram a OesteCIM.

Na moção, aprovada por unanimidade, os deputados contentaram os resultados, que apontam o Bombarral como a melhor opção, tendo conta "critérios de distância e acessibilidade de todos os utentes". São, alegam os eleitos de Caldas da Rainha, resultados "baseados em métricas de contornos discutíveis", que não tiveram em conta outros fatores "determinantes para os ganhos em saúde para a população do Oeste".

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Do documento, os deputados questionam, por exemplo, se o estudo teve em conta a "estrutura etária e as patologias prevalentes da população", assim como a necessidade de assegurar cuidados de saúde hospitalar à população sazonal", que escolhe, além das Caldas da Rainha, concelhos como Óbidos, Peniche, Alcobaça e Nazaré, quer como destino turístico quer "para investir e viver".

No entender dos deputados, a escolha do Bombarral revela ainda que "foi esquecida a premissa de um que um novo grande hospital precisa de ter na vizinhança uma estrutura urbana adequadamente dimensionada", frisando que, para atrair e fixar profissionais de saúde qualificados, "serão necessárias estruturas como creches, escolas e bons equipamentos desportivos".

A moção, aprovada por unanimidade, vai ser enviada à Comunidade Intermunicipal do Oeste, à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, ao Centro Hospitalar do Oeste (CHO), ao Ministério da Saúde e à Comissão de Saúde da Assembleia da República.

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