Castanheira de Pera

Mantém-se "braço de ferro" entre Igreja e maestro gay 

Mantém-se "braço de ferro" entre Igreja e maestro gay 

A comunidade católica de Castanheira de Pera arrisca-se a ficar mais um domingo sem missa, por falta de entendimento entre a diocese de Coimbra e o maestro do coro.

João Maria esteve reunido esta segunda-feira com o vigário-geral, padre Pedro Miranda, mas após quase três horas de argumentação e contra-argumentação, o encontro foi inconclusivo.

"Eles querem ganhar este braço de ferro e pediram-nos para pararmos com o protesto, mas nós entendemos que temos razão e vamos continuar a lutar por isso", justificou o maestro ao JN.

O conflito arrasta-se desde fevereiro, quando João Maria foi afastado da direção do coro, por alegada "indisciplina e insubordinação" para com o pároco de Castanheira de Pera, José Carvalho. Porém, o maestro alega que a sua expulsão se deveu ao facto de ter assumido publicamente uma relação homossexual, e não aceita o seu afastamento. Com ele estão os elementos do coro, que desde então, se têm apresentado nas missas dominicais vestidos de preto, e em silêncio.

O vigário-geral chegou a ir à paróquia explicar as razões do afastamento, mas nem isso fez apaziguar os ânimos. E no domingo, quando o coro se preparava para mais um protesto, ficou à porta da igreja. A missa tinha sido cancelada.

Entretanto, o vigário-geral convocou João Maria e um elemento do coro para uma reunião, na noite desta segunda-feira. Mas segundo o maestro, a única coisa que esteve em cima da mesa, foi o pedido para que ele se afastasse. "Eu disponibilizei-me para, se quisessem, fazer um pedido de desculpas público ao padre José Carvalho, mas recusaram. Dizem que não há condições para eu continuar", revelou o jovem.

Sem uma solução à vista, os elementos do coro dizem-se dispostos a continuar o protesto, e prometem voltar a apresentar-se no próximo domingo, para assistir à eucaristia, em silêncio. E o mais certo é voltar a não haver celebração.

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