Polémica

Decisão do ICNF ameaça indústrias da Marinha Grande

Decisão do ICNF ameaça indústrias da Marinha Grande

Carta de Perigosidade de Incêndio Rural impede expansão de duas zonas industriais do ​​​​​​​concelho.

A Carta de Perigosidade de Incêndio Rural do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) poderá levar algumas indústrias a abandonarem a Marinha Grande e outras, que se pretendiam instalar no concelho, a procurarem outros países. A convicção é do presidente da Autarquia, Aurélio Ferreira, já que o documento veio inviabilizar a expansão das zonas industriais da Marinha Grande e de Vieira de Leiria.

Indignado, o autarca explica que o ICNF classificou territórios da Marinha Grande com uma classe de perigosidade "alta" e "muito alta", tendo em conta as áreas ardidas entre 1975 e 2018, o que impede a execução de operações de loteamento e de obras de edificação.

"Somos lesados pelos incêndios no Pinhal de Leiria, porque o ICNF não cuidou do que era dele e, para nos premiarem, castigam-nos desta forma", acusa, em alusão aos fogos de 2017, que destruíram 86% das matas nacionais.

A criação de uma Área Industrial e Logística a nascente do concelho, a expansão das zonas industriais da Marinha Grande e de Vieira de Leiria e o alargamento do aglomerado urbano-turístico da Praia da Vieira são exemplos de intervenções comprometidas, com a entrada em vigor, em março, da Carta de Perigosidade de Incêndio Rural. "Não há hipótese de construir nada, o que vai ter impacto ainda na criação de postos de trabalho, e nos impostos diretos e indiretos."

Aurélio Ferreira condena ainda o facto de o ICNF ter vendido um terreno ao Município, por um "valor elevadíssimo", para permitir alargar a zona industrial da Marinha Grande, o que já não é possível. "O que mais me dói é que instalámos infraestruturas e temos nove lotes aptos para construção", assegura. "E como é que justificam deixarem construir na mata nacional do Casal da Lebre, mais a sul, que pertence ao ICNF? Aí não há perigosidade de incêndio, sendo mata nacional, com pinheiros e mato mal limpo?", questiona.

Legalização impedida

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O autarca acusa também o ICNF de impedir a legalização das casas na área da Galeota, em Vieira de Leiria, prevista na revisão do Plano Diretor Municipal em curso, assim como a possibilidade de construir na arriba junto às Piscinas de São Pedro de Moel, o que, acredita, inviabilizará a sua reconstrução. "E a zona florestal, ao lado, não tem risco? Não consigo perceber, porque tudo isto foi imposto, sem falarem connosco."

Confiante que ainda é possível reverter a situação, o autarca vai contestar a carta do ICNF junto dos ministros do Ambiente, da Economia e do primeiro-ministro. "O Estado não pode pensar apenas na floresta. Fechamos as empresas? Então, o Estado que nos diga isso."

PS pede suspensão

O Grupo Parlamentar do PS pediu a "suspensão imediata" da carta publicada pelo ICNF, informa um comunicado da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria. Refere ainda que, na sequência da sua tomada de posição, os socialistas propuseram manter as cartas de perigosidade constantes dos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

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