Óbidos

Hora e meia à chuva à espera da ópera

Hora e meia à chuva à espera da ópera

A apresentação da ópera Carmen, de Georges Bizet, na cerca do castelo de Óbidos, agendada para sábado à noite, foi cancelada devido às condições climatéricas, depois de 800 espectadores terem esperado hora e meia, à chuva.

"Esperámos todos este tempo que as condições melhorassem e que pudéssemos estrear esta obra, mas com esta chuva que aumenta e diminui de intensidade não temos condições técnicas para actuar", informou o maestro António Vassalo Lourenço, quase hora e meia depois da hora prevista para o início da ópera "Carmen".

A chuva, que alternou de intensidade desde cerca das 21.00 horas, já fazia prever que o espectáculo integrado no VII Festival de Ópera de Óbidos pudesse vir a ser cancelado, mas a organização não fez qualquer aviso nesse sentido, abrindo as portas do recinto à entrada dos 800 espectadores que esgotaram a plateia.

O público esperou debaixo de chuva durante cerca 45 minutos, até que a organização do evento, a empresa Óbidos Património, anunciasse que estavam a ser feitos todos os esforços para que o espectáculo pudesse ser apresentado e o que se previa que viesse a acontecer dentro de poucos minutos.

Minutos antes das 23.00 horas, e depois de o público dar mostras de descontentamento, foi António Vassalo Lourenço quem explicou que a ópera não iria ser apresentada por motivos técnicos, apesar de o elenco de cerca de 120 pessoas (incluindo a orquestra Filarmonia das Beiras e dois coros, um dos quais infantil) ter subido ao palco para mostrar que "estava preparado" e também tinha "esperado mais de uma hora".

O presidente da Câmara de Óbidos, Telmo Faria, informou que o espectáculo será apresentado na segunda-feira e que o preço dos bilhetes será devolvido a todos os que não pretenderem assistir.

A demora no cancelamento causou várias demonstrações de indignação entre a assistência, que no final fazia filas para tentar receber o valor do ingresso (35 euros). "A organização esteve muito mal, deveria ter informado logo de início e as pessoas escusavam de estar tanto tampo à espera", disse à Lusa Raul Cruz, de Santa Cruz, Torres Vedras.

Joana Resende, natural de Aveiro e que interrompeu as férias no Algarve propositadamente para assistir à ópera, critica não apenas a demora, mas "a falta de profissionalismo e de respeito pelo público".

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