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Rearborização

Eucaliptos ocupam área destinada a medronheiros em Pedrógão Grande

Eucaliptos ocupam área destinada a medronheiros em Pedrógão Grande

Promovida no âmbito do programa ReNascer Pedrógão, coordenado pela Celpa (Associação da Indústria Papeleira), a rearborização do designado núcleo de Romão, localizado nas margens do rio Zêzere, em Pedrógão Grande, violou o projeto aprovado pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICNF). Em causa está a plantação de eucaliptos numa área de 4,6 hectares onde estavam autorizados medronheiros.

A "ilegalidade" é denunciada pelas associações ambientalistas Quercus e Acréscimo, que responsabilizam também o ICNF pela "falta de fiscalização". Em reação, a Celpa promete averiguar e, se necessário, "repor" a situação.

O projeto de rearborização foi aprovado em 2020, abrangendo uma parcela com quase 16 hectares, uma parte com medronheiros (4,6 ha) e a restante com eucaliptos. Mas, esta espécie de crescimento rápido acabou por ocupar a totalidade da área. "Uma evidente ilegalidade, reflexo de um projeto que foi adulterado na sua execução", acusam a Quercus e a Acréscimo".

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Num comunicado conjunto, as duas organizações denunciam os "fortes impactos" decorrentes da "extrema mobilização" de solos e do recurso "à construção de terraços em plena margem direita do rio Zêzere", provocando um "significativo acréscimo de risco de erosão". "Esta injustificável mobilização de solos ocorreu em plena Reserva Ecológica Nacional e numa área abrangida pelo Plano de Ordenamento das Albufeiras de Cabril, Bouçã e Santa Luzia", assinalam os ambientalistas.

A Quercus e a Acréscimo criticam ainda o facto de os eucaliptos terem sido plantados "até aos limites de caminhos e aceiros" e apontam também o dedo à "incapacidade do Estado, nomeadamente do ICNF", pela "falta de fiscalização das ações de arborização que autoriza", o que se "converte num prémio à especulação e à infração com consequente aumento da expansão de eucalipto".

Em reação, a Celpa anuncia que irá promover "um processo interno de identificação minuciosa de toda a área já intervencionada", para "eventualmente caracterizar" as situações que "não cumpram os requisitos legais". Em comunicado, a associação das celuloses adianta ainda que, "apesar de não ser formalmente responsável pela manutenção das áreas em causa", já solicitou ao ICNF que "desenvolva os procedimentos que considere necessários" para que, "se alguma característica do projeto foi alterada após a sua plantação, a situação possa ser de imediato reposta".

Projeto junta celuloses e proprietários

O projeto ReNascer Pedrógão é promovido pela Celpa, em parceria com a Associação dos Produtores e Proprietários Florestais ( APFLOR) do concelho, envolvente também os donos de terrenos. Num vídeo divulgado pela Celpa explica-se que o objetivo passa por "ajudar os pequenos proprietários a contrariar o abandono" das terras e a ter uma "nova, melhor e mais resiliente floresta". Segundo é explicado no vídeo, a Celpa oferece plantas de qualidade, adubo, preparação do terreno e acompanhamento técnico, sendo o serviço de plantação assegurado pelos proprietários. "Até ao momento, foram já rearborizados cerca de 130 hectares de floresta ardida e foram construídos ou beneficiados 54 quilómetros de caminhos e aceiros", informa a associação.

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