Venteira

Corpo morto em apartamento da Amadora deixa cheiro "nauseabundo" aos moradores

Corpo morto em apartamento da Amadora deixa cheiro "nauseabundo" aos moradores

Moradores da Venteira, na Amadora, vivem com um cheiro "nauseabundo", há duas semanas, vindo de um apartamento onde um vizinho foi encontrado morto. O corpo foi retirado, mas o odor não desapareceu e ninguém foi limpar. A responsabilidade é da Autoridade Local de Saúde, que ainda não avaliou a insalubridade da habitação.

João Pires vivia sozinho e morreu, na cama, há cerca de três semanas, mas o corpo só foi retirado há quinze dias, quando os vizinhos detetaram o odor e alertaram as autoridades. Desde então, têm vivido um martírio. "O odor não passa. Moro por cima e entra-me pelos canos da casa de banho. Já pusemos um adesivo na porta do senhor e ambientadores e dormimos com a porta da rua aberta, pondo em risco a nossa segurança, porque o cheiro é muito intenso", reclama Celeste Correia, uma das vizinhas, que diz que os moradores já não sabem o que fazer.

"Moram aqui crianças e idosos com problemas de pulmões que estão preocupados, isto é uma questão de saúde pública. Aquela casa precisa de ser desinfetada porque o corpo já estava em estado de decomposição avançado quando o retiraram. Ainda andei a limpar as escadas do prédio no dia em que o levaram", conta.

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A moradora e outros habitantes do prédio, na Rua 1º de Maio, na freguesia da Venteira, já contactaram várias entidades e até familiares para limparem a casa, mas dizem que de nada serviu. "Ligamos para a Câmara da Amadora que disse que não era com eles. Mandamos um email ao delegado de saúde e não respondeu. A sobrinha, o único contacto que encontramos de um familiar, diz que não se dava com o tio", conta.

A sobrinha de José Pires confirma-o ao JN. "Já há mais de dez anos que ele deixou de falar connosco por causa de partilhas de heranças, não fazia sentido irmos agora de Ribeira de Pena, Vila Real, onde vivemos, para Lisboa. Podiam pensar que íamos com algum interesse e não temos interesse em nada do que ele tem", esclarece Isabel Dias, que não sabe sequer se foi realizado funeral ao tio.

A Câmara da Amadora diz que quem tem a responsabilidade de limpar a habitação são os "familiares diretos, incluindo os herdeiros legais" e, na inexistência destes, "deverá ser feita uma avaliação da Autoridade Local de Saúde de forma a verificar a insalubridade no local e que mecanismos devem ser desencadeados para a limpeza". "A Câmara poderá apoiar as diligências que a Autoridade Local de Saúde indique que sejam as fundamentais para se debelar a eventual insalubridade do local", esclarece ainda.

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