Boca do Inferno

Dois pescadores morrem em Cascais depois de queda nas rochas

Dois pescadores morrem em Cascais depois de queda nas rochas

Os dois nepaleses estavam a pescar, em Cascais, quando um tropeçou nas linhas de pesca e caiu ao mar. O outro ainda gritou por ajuda antes de saltar para o ajudar.

Dois homens morreram, este domingo ao início da tarde, depois de caírem junto à Boca do Inferno, em Cascais, onde se encontravam a pescar. Inicialmente pensou-se que os dois pescadores lúdicos teriam sido arrastados pelo mar, uma tese que foi rapidamente desmentida, após o resgate dos corpos. Um teve morte imediata ao embater nas rochas e o outro "como também saltou para a zona da pedra, e não para o mar" também terá morrido logo, disse Rui Pereira da Terra, comandante do Comando Local da Polícia Marítima de Cascais, ao JN.

Os cidadãos nepaleses, com cerca de 40 anos, viviam em Carcavelos e trabalhavam legalmente em Portugal, e são da mesma família. "Podem ser primos ou irmãos, ainda não conseguimos apurar", avança Rui Pereira da Terra. Os dois homens estavam a pescar na zona inferior da arriba, quando um deles tropeçou nas linhas de pesca, caiu e teve morte imediata. "Conseguimos percebê-lo pelas escoriações que apresentava na cara", explicou o comandante que coordenou as operações da busca. "A queda foi tão violenta que terá perdido logo os sentidos e, supondo que não sabia nadar, tornou-se mais difícil recuperar sozinho".

O outro pescador, segundo testemunhas que estiveram no local, ainda deu um grito de alerta, mas saltou logo de seguida para ajudar o familiar. "Como saltou para a zona da pedra, e não para o mar, também terá falecido da queda", explica. Este tipo de incidentes naquela zona, segundo o comandante, "não é comum" até porque "a maioria dos pescadores pesca na zona alta da arriba, e não na baixa". "Como eram nepaleses poderiam ter uma atitude diferente em relação ao mar. Também não sabemos se sabiam nadar ou se conheciam bem a zona. Provavelmente não", arrisca.

Condições do mar

A zona onde os pescadores se encontravam "mais baixa e mais perto do mar" é "mais arriscada", mas "as causas do acidente não estiveram ligadas à agitação marítima". "Estava um dia quente e o mar estava com muita força e ondulação, como é normal naquela zona. Caindo, claro que é sempre mais difícil recuperar ao tentarem agarrar-se a uma pedra para se salvarem, mas não foi o mar que os arrastou", garante.

Depois de ouvirem os gritos de um dos pescadores, testemunhas ligaram para os bombeiros. No local, estiveram 38 operacionais e 15 viaturas da Autoridade Marítima, dos Bombeiros de Cascais e de Alcabideche, da PSP e da Proteção Civil Municipal. O primeiro corpo foi recuperado pela mota de água de salvamento marítimo e o segundo pela embarcação salva-vidas Rainha Dona Amélia.

O alerta foi dado às 13.41 horas e os homens foram encontrados pelas 15.30 horas. O óbito foi declarado perto da marina de Cascais e os corpos seguiram para o gabinete médico legal do Cemitério da Guia, em Cascais.

Ocorrências pontuais

A Boca do Inferno é um sítio escolhido por muitos para assistirem ao pôr-do-sol. É muito procurada pelas grutas marinhas e pelo espetáculo visual que o embate violento das ondas do mar nas rochas milenares proporciona.

Uma ou duas vezes por ano há relatos de pessoas que arriscam ir até às zonas interditas, escorregam e caem. Em abril do ano passado, um turista alemão caiu da arriba, mas acabou por ser salvo. Em 2016, um turista também caiu a tirar uma fotografia, mas foi resgatado com vida.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG