Cascais

Senhoria corta água e luz a inquilinas para as forçar a sair

Senhoria corta água e luz a inquilinas para as forçar a sair

A dona de uma moradia em Massapés, Tires, no concelho de Cascais, decidiu, há cinco dias, cortar a água e a luz para pressionar duas inquilinas a abandonarem um anexo e um sótão que alugara há alguns anos.

Uma das inquilinas, Catarina Veiga, tem um filho bebé de quatro meses e outro de três anos. A outra inquilina, Marisa Cancela, está grávida de oito meses, noticia o jornal digital Cascais24. Ambas asseguraram que "sempre cumpriram com o pagamento das rendas".

A verdade é que nunca houve contrato de arrendamento e o valor das rendas eram entregues mensalmente, em dinheiro, à senhoria.

Este domingo à tarde, a dona da habitação, Maria Adelaide, confirmou ao Cascais24 que tinha cortado a água e a luz "só para as apressar a sair".

Reconheceu, no entanto, que não "foi a melhor opção", mas entretanto dirigiu-se à Águas de Cascais e cancelou também o contrato de fornecimento de água, isto porque, no sábado, as inquilinas, em desespero, forçaram a caixa da torneira de segurança, fechada a cadeado, e efetuaram a religação. "Confirmo que cancelei o contrato", declarou Maria Adelaide.

Na semana passada, a PSP da 56ª. Esquadra (Trajouce) chegou a ser acionada para ir à moradia da rua Fernando Pessoa, em Massapés, mas não conseguiu convencer a senhoria a ligar a água e a luz, que são considerados serviços essenciais.

Ambiente de "guerrilha"

Neste momento, senhoria e inquilinas vivem um autêntico ambiente de "guerrilha psicológica", com cada uma das partes a achar estar dentro da razão.

A inquilina Catarina Veiga revelou, em declarações ao Cascais24, que esta segunda-feira apresentou queixa junto dos Serviços do Ministério Público de Cascais e uma denúncia na Autoridade Tributária contra a senhoria, enquanto esta também assegurou ao nosso jornal que os seus advogados "estão a tratar do assunto".

A senhoria garante que "desde novembro do ano passado" vem pedindo às inquilinas para saírem e "elas chegaram a concordar em fevereiro", mas "nunca mostraram intenção de o fazer".

"Foi em fevereiro, não em novembro, que fomos avisadas e, sim, concordámos, mas para onde vamos? Não temos condições económicas que nos permitam arrendar uma casa aos preços que estão", afirmou Catarina Veiga, que ganha o ordenado mínimo a trabalhar num jardim de infância camarário e está inscrita na habitação social camarária.

Uma paga 350 e outra 300 euros pelos alugueres de um anexo, cheio de humidades, com duas pequenas divisões e casa de banho, e outra pelo sótão, onde, diz, "temos de andar quase curvados".

"Estou cansada, em desespero e não fiz isto por gosto", garantiu, por sua vez, a senhoria, que justifica a saída das inquilinas da sua propriedade por necessidade de efetuar obras e legalizar o imóvel.

"Em desespero estamos nós, sem água e luz, a ter que recorrer a colegas de trabalho e pessoas amigas para tomar banho, lavar roupa e, no meu caso, aquecer os biberões do bebé", concluiu Catarina Veiga ao Cascais24.