Lisboa

Alfama cansada de esperar pela recuperação dos edifícios

Alfama cansada de esperar pela recuperação dos edifícios

Os moradores de Alfama estão saturados de ver edifícios inteiros degradados e emparedados sem que arranquem as prometidas obras de recuperação. E a junta de Santo Estêvão critica a Câmara pela falta de política de reabilitação. Está tudo "farto", dizem.

"A reabilitação urbana em Alfama está uma desgraça!", apontou, ao JN, Maria de Lurdes Pinheiro, presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão.

A autarca que há poucos dias confessara, em Assembleia Municipal, estar "defraudada e desiludida com este Executivo, que se dizia diferente da anterior maioria, mas na prática não mostra substanciais diferenças" acusa a Câmara de Lisboa de ter "uma nítida falta de vontade para intervir"  e sublinha que "a reabilitação no bairro parou desde o tempo do Santana Lopes".

Com efeito, um pouco por todas as ruas, ruelas e escadinhas daquele que é considerado um dos bairros mais típicos de Lisboa, abundam os casos de edifícios inteiros em avançado estado de degradação, muitos deles cobertos, há vários anos, por andaimes e com as janelas das fachadas tapadas por tijolos ou cimento.

"Temos edifícios que estão emparedados e à espera de obras há mais de 20 anos", lamenta Maria de Lurdes Pinheiro. A autarca tece critica ainda o facto do investimento no âmbito da Unidade de Projecto de Alfama e Castelo ter sido "reduzido para menos de metade". "Dos 6,4 milhões que foram cortados, 5,5 dizem respeito à reabilitação de prédios de habitação para arrendamento", considerou, indignada, e descontente com as alteração previstas para o Programa de Investimento Prioritário em Acções de Reabilitação Urbana 2010-2012 (PIPARU) e que hoje deverão  voltar a reunião de Câmara.

Ao JN, Maria de Lurdes Pinheiro citou vários casos concretos de edifícios municipais de onde foram retirados os moradores para que se realizassem obras de recuperação. "Na Rua Guilherme Braga há um prédio municipal que está emparedado e ficou fora da lista [do PIPARU]", exemplifica. A autarca manifesta ainda total incompreensão pelo facto da Câmara ainda não ter avançado com o projecto de uma nova creche "prevista há mais de 20 anos".

Algumas moradoras que se viram forçadas a abandonar as casas para serem realojadas em habitações temporárias também exteriorizaram o seu descontentamento ao JN. Manuela Alegre é um desses casos. "As pessoas deixam a sua vivência de bairro e vão para um mundo completamente diferente", afirma, confessando que "gostaria de voltar ao sítio onde nasci".

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Já Carolina Barros, antiga moradora do Palácio Dona Rosa, disse estar bastante desagradada com a sua habitação temporária.

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