Estacionamento

Prédios de Lisboa "cercados por grades" para marcar lugares de estacionamento da Polícia

Prédios de Lisboa estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia|

 foto Sofia Cristino / JN

Prédios de Lisboa estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia|

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Prédios de Lisboa estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia|

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Prédios de Lisboa estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia|

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Prédios de Lisboa estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia|

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Gradeamento marcava lugares para carros particulares da PSP. Foi retirado após queixas.

Alguns prédios de habitação, no centro de Lisboa, estiveram, durante sete meses, "cercados por grades" que marcavam lugares de estacionamento para a Polícia. Os moradores foram surpreendidos com o desaparecimento de 18 lugares, atribuídos à PSP, sem serem consultados. Após trocas de emails com a polícia e a Câmara de Lisboa e de terem redigido uma petição, as grades foram retiradas esta semana, mas os residentes dizem que os lugares "só mudaram de sítio".

Pela calada da noite, na véspera de Natal, na Rua Artilharia 1 e na Travessa da Fábrica dos Pentes, foram colocadas grades a assinalar lugares para carros particulares de funcionários do Departamento de Armas e Explosivos e do Corpo de Segurança Privada da PSP, divisões que ali funcionam. Esta última terá mudado de instalações da Penha de França para esta zona da cidade em setembro. Os veículos privados eram identificados por um dístico e, muitas vezes, principalmente ao final da tarde e ao fim de semana, o espaço destinado ao parqueamento estava vazio, deixando os moradores ainda mais frustrados.

"É um abuso de poder e de utilização do espaço público. A Câmara compactuou e nunca pensou em nós. Não consigo trazer os meus pais, de 90 anos, nem descarregar as compras. A Direção Nacional da PSP tinha obrigação legal e o dever de procurar soluções que não vedassem os prédios de habitação", lamentou Clementina Paiva ao JN, dias antes de as grades serem retiradas.

Apesar do recuo da PSP, ao retirar as grades ao final de sete meses, os moradores garantem que "os lugares se mantiveram". "Alguns mudaram de sítio e o horário foi reduzido. Continuam a manter privilégios", critica a moradora. Na Travessa da Fábrica dos Pentes foi colocado um sinal de estacionamento para a PSP, entre as 9 e as 19 horas, durante a semana. Na Rua Artilharia 1 há agora três lugares reservados a visitantes dos departamentos da PSP que ali funcionam, entre o mesmo período, "mas o atendimento ao público fecha às 15 horas". "Não percebemos quem são estes visitantes", observa Clementina.

Numa resposta aos moradores, a PSP justificou a ocupação com "a elevada solicitação por parte do público", "a responsabilidade de execução a nível nacional de competências de grande relevo" e "a necessidade de garantir um perímetro de segurança e proteção ao edifício, após uma auditoria que identificou vulnerabilidades na zona", um argumento que nunca convenceu os moradores.

"Não faz sentido nenhum. Se é um perímetro de segurança porque é que não podemos estacionar os nossos carros, mas eles podem estacionar os deles?", criticou Conceição Andrade, outra residente, ao JN. No prédio há um parque de estacionamento subterrâneo onde estão armazenadas armas, munições e explosivos e onde funciona um laboratório de balística. "Podiam usar o parque para os carros. Além disso, é perigoso armazenarem estes materiais numa área residencial. A PSP alegou razões de segurança, mas os lugares são usados para viaturas particulares, muitas com dísticos de outras zonas", nota ainda Clementina Paiva.

O JN perguntou à PSP "quais as vulnerabilidades encontradas" naquela parte da cidade, entre outras questões, há mais de um mês, mas não obteve resposta apesar da insistência.

A Câmara de Lisboa diz que a "reserva de lugares de estacionamento à PSP na Rua da Artilharia 1, decorreu da necessidade identificada pela PSP, aquando da realização de uma auditoria de segurança ao edifício onde se encontram as suas instalações". A Autarquia avança ainda que reservou 164 lugares exclusivos a residentes, a 8 de março, "de forma a minimizar o impacto da medida". Destes lugares, "25 estão reservados 24 horas e 139 reservados no período noturno, das 19h às 9h, distribuídos em quatro arruamentos distintos".