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"Baresi", o dragão que perdeu tudo

"Baresi", o dragão que perdeu tudo

Aos 46 anos, Celso Soares arrasta um pouco o andar e a fala. Tem um ar pesado e poucos imaginam que há 20 anos chegou a brilhar no futebol amador. Era defesa central, com algum jeito, consta. Tinha alcunha de "Baresi", figura de proa do AC Milan e da seleção italiana na década de 90. E é de futebol que ainda hoje gosta mais de falar.

"Eu sou dragão!", afirma, convictamente. E reage de pronto à provocação ao lado quando lhe lembram que o "Benfica é que é o tricampeão". "Sou dragão, sou dos melhores. Nunca vi como Madjer. João Pinto, Celso, Geraldão, Branco, Futre, Juary...",

Chegou a Portugal há 28 anos. "Fugi de Cabo Verde, onde o meu pai me batia muito", conta. Veio viver com a mãe e cedo se interessou pela mecânica e pelos automóveis. Mas faltava-lhe a documentação. "Comprei um bilhete de identidade e uma carta de condução falsas por 100 contos (500 euros) e fui aprender mecânica.

Problemas com o padrasto atiraram-no para fora de casa. "Fui viver na rua para a Cova da Moura. Foram quatro anos a abrigar-me num automóvel". Mas depois alguém lhe deu a mão e começou a trabalhar como camionista pelas estradas da Europa. "Só que aceitei começar a transportar droga da Holanda. Primeiro pouco, depois mais e mais. Cheguei a ter milhares de euros no banco", observa.

Mas o golpe fatal aconteceu em Espanha, quando foi apanhado a conduzir um automóvel a 280 à hora na autoestrada. "Prenderam-me e descobriram que a minha carta e a todos os meus documentos eram falsos. Fiquei sem nada".

Acabou a cumprir pena de prisão, tendo saído em outubro. É agora um dos residentes da CASA. "Já tive dois AVC e agora estou com depressão. Mas aqui tratam-me bem, ajudam-me", conclui.

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