Lisboa

Bloco quer alargar Casamentos de Santo António a pessoas do mesmo sexo

Bloco quer alargar Casamentos de Santo António a pessoas do mesmo sexo

Os casamentos de Santo António poderão ser alargados a pessoas do mesmo sexo. Esta é a vontade do Bloco de Esquerda (BE) na Câmara de Lisboa, que deu a conhecer esta quarta-feira uma proposta para que a cerimónia, com tanta tradição na capital, passe a incluir homossexuais.

O documento foi conhecido no mesmo dia em que passam dez anos da aprovação do casamento para pessoas do mesmo sexo em Portugal.

O regulamento dos Casamentos de Santo António omite a possibilidade de participação de pessoas do mesmo sexo, indicando apenas que os noivos devem estar em situação legal para contrair casamento. O BE propõe que o boletim de inscrição e a documentação necessária para concorrer a esta iniciativa, que apoia financeiramente casais a concretizarem o seu casamento, seja alterada de forma a contemplar a possibilidade de participação de casais constituídos por pessoas do mesmo sexo nos casamentos civis.

"É muito simples, basta alterar o formulário do boletim de inscrição. Queremos que, onde aparecem as opções de noivo e noiva, passe a aparecer conjugue. É fácil e é uma medida que pode ter muito impacto na vida de alguns casais do mesmo sexo que queiram casar-se agora e que não estão nas mesmas condições dos heterossexuais", explica o vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo (BE), ao JN. "É uma questão de igualdade", reforça ainda.

Esta proposta, que será apresentada em reunião do executivo no próximo dia 23 de janeiro, já tinha sido apresentada o ano passado. Na altura, "houve alguns constrangimentos por parte dos patrocinadores dos casamentos, por ter sido em cima da hora", revela Manuel Grilo. "Acordámos apresentá-la agora, com antecedência, para não serem surpreendidos. Acreditamos que há várias possibilidades de ser aprovada por vários grupos municipais", sublinha.

O autor da proposta lembrou ainda que a medida "vem de acordo com a legislação que hoje já existe em Portugal". "Lisboa aprovou a proposta do Plano Municipal LGBTI em dezembro, sendo o primeiro município de Portugal a aprovar um plano para a atividade LGBTI. Com este e outros antecedentes, esta é uma concretização desta estratégia municipal em favor da igualdade", diz ainda.

Os casamentos de Santo de Santo António realizaram-se, pela primeira vez, em 1958 e, nesta altura, incluíam apenas cerimónias religiosas. Depois do 25 de Abril, foram interrompidos durante 23 anos. Só viriam a ser retomados em 1997, já com a inclusão de casamentos civis. São realizados a 12 de junho, em Lisboa, na véspera do feriado municipal. Na sua origem reside uma iniciativa de cariz solidário que apoia casais a concretizarem o seu casamento. Atualmente, a iniciativa é da Câmara de Lisboa em parceria com a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC).

O JN contactou os patrocinadores dos Casamentos de Santo António do ano passado para obter uma reação, mas não obteve resposta.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG