Lisboa

Bombeiros Sapadores admitem recurso à greve

Bombeiros Sapadores admitem recurso à greve

Cerca de 400 elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa participaram, esta sexta-feira, num plenário para discutir a anunciada intenção da Câmara em alterar os horários de trabalho, passando de quatro para cinco turnos, situação que rejeitam totalmente.

Os bombeiros concentraram-se de manhã, fardados, frente à Câmara de Lisboa, com a firme disposição de contestarem uma medida que, sublinham, "poria em causa a segurança da cidade e das pessoas", já que, segundo explicou António Pascoal, coordenador do Departamento de Bombeiros do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, implicaria a redução do efectivo em cerca de 20%.

O responsável adiantou ainda que o efectivo definido para o Regimento é de 1112 bombeiros, e que neste momento estão apenas 800, sendo que 157 são estagiários que terminaram recentemente a formação. "Há um défice enorme de bombeiros. E sem actualizar o quadro é impossível avançar com qualquer mexidas nos horários", sublinhou.

Firmes na disposição de não aceitarem a mudança de quatro para cinco turnos, os bombeiros prometem prosseguir com a sua luta até às últimas consequências se a Câmara mantiver a intenção de mexer nos horários. "Vamos até ao fim e as formas de luta vão intensificar-se", disse ao JN António Pascoal, garantindo que a greve "é uma hipótese a considerar".

O mesmo responsável deu como exemplo situações diárias que, até podem passar desapercebidas aos olhos do grande público, mas que preocupam grandemente os profissionais. "A norma da Autoridade de Protecção Civil diz que um carro para um fogo deve sair com seis elementos e, actualmente, há muitos que estão a sair só com quatro", exemplificou, para ilustrar o que se passaria com a redução de efectivos, caso fosse criado mais um turno.

"Neste momento não se cumpre o que está estabelecido por manifesta incapacidade de meios", resumiu António Pascoal.

Depois de aprovarem, por unanimidade, a moção em que exigem à autarquia que complete o quadro de efectivos e, ao mesmo tempo, reiteraram que não aceitam qualquer mudança no actual horário de trabalho, os bombeiros seguiram, a pé, até ao Largo do Intendente, onde se situa o gabinete do presidente António Costa, para entregarem pessoalmente o texto da moção.

Recebidos pela chefe de gabinete de António Costa, acabaram por obter a promessa de uma reunião, a realizar em breve, com o Executivo Municipal para debater a situação.