Lisboa

Câmara aprova projeto para edifício "Diário de Notícias"

Câmara aprova projeto para edifício "Diário de Notícias"

A Câmara de Lisboa aprovou um pedido de informação prévia de um promitente-comprador que quer reabilitar e ampliar o edifício onde funcionou o "Diário de Notícias", para ali criar 32 fogos de habitação e um espaço comercial.

A proposta, que foi apreciada em reunião privada, contou com o voto contra do PCP, abstenção do PSD e do CDS-PP e com votos favoráveis da maioria socialista (que inclui o movimento Cidadãos por Lisboa).

As reservas da oposição prendem-se, essencialmente, com a salvaguarda do património do edifício, situado nos números 266-266A da Avenida da Liberdade e 111 a 111E da Rua Rodrigues Sampaio, freguesia de Santo António, classificado como de interesse público e distinguido com o Prémio Valmor.

Falando à agência Lusa no final do encontro, o vereador comunista Carlos Moura referiu que "obviamente o PCP não poderia ter outra postura que não votar contra".

"Sempre alertámos para a preocupação de preservar o património e não estamos só a falar do prédio, estamos a falar do conjunto patrimonial: o prédio e o seu recheio", concretizou.

Para o PCP, não se devem "preservar apenas algumas questões arquitetónicas" e "não é claro" que todo o património esteja salvaguardado.

Por seu lado, o social-democrata António Prôa realçou que "aquele é um edifício muito especial na cidade, com muito valor arquitetónico, mas também simbólico".

"Não estamos conformados com que seja transformado num edifício de habitação", referiu, defendendo que o imóvel deveria, antes, "ter uma função de serviço púbico para ser usufruído pela cidade".

João Gonçalves Pereira, do CDS, lembrou que se trata de um pedido de informação prévia condicionado a "uma série de pareceres", entre os quais da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o que causa "uma série de reservas" ao centrista.

Ainda assim, João Gonçalves Pereira considerou ser "positivo que haja habitação naquela zona, sem ser apenas hotéis e escritórios".

Confrontado com as reservas, o vereador do Urbanismo da autarquia, Manuel Salgado, referiu que "não fazem sentido nenhum", uma vez que "não há qualquer questão patrimonial que esteja em causa no processo", até porque a DGPC "está a acompanhar" o projeto.

Sobre os próximos passos, referiu que se segue a concretização da venda do imóvel e, posteriormente, a realização de um pedido de licenciamento.

A proposta em causa "preconiza a viabilidade de alteração, incluindo a legalização de obras executadas ao longo dos anos do edifício do jornal do Diário de Notícias, dotando-o de características técnicas, funcionais e estéticas adequadas aos usos propostos: habitação (32 fogos), comércio (um espaço comercial) e estacionamento (44 lugares)", especifica o documento aprovado e assinado por Manuel Salgado.

A proposta refere que "esta operação urbanística implica, também, a viabilidade de alteração de fachada".

Chamada a pronunciar-se, a DGPC emitiu um parecer favorável condicionado, salientando que deveria ser entregue o "projeto de execução de arquitetura e demais especialidades, de forma a verificar a sua adequação patrimonial para o imóvel classificado".

Segundo a mesma entidade, "no desenvolvimento futuro do projeto, deverá ser mantido o vão de ligação da caixa de escada comum ao terraço coberto (antigo 'alpendrado')" e deve-se também "ponderar/estudar de forma cuidada a proposta de substituição das caixilharias para a fachada principal, elemento arquitetónico que se considera decisivo na conceção original do projeto".

AYMN // ROC

Lusa/Fim

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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