Lisboa

Cavaco corre risco de ser beijado à força na Mouraria

Cavaco corre risco de ser beijado à força na Mouraria

O protesto "Apoteose a Cavaco. Venham beijar o Exmo. Sr. Presidente", agendado para este sábado, promete ensombrar a visita presidencial à Mouraria, em Lisboa, rodeada de um forte dispositivo policial. A autarca local aponta o dedo a anarquistas, garantindo que a população receberá Cavaco Silva "de forma afetiva".

Marcada para as 17 horas, no Martim Moniz, de onde parte a comitiva, a manifestação surge na sequência de uma campanha de limpeza do espaço público - onde se contam a remoção de grafites e de murais críticos da gestão municipal - realizada durante as últimas madrugadas, para que a Mouraria perdesse testemunhos de um passado recente de degradação do espaço público ou indiciadores de graves problemas de exclusão social, ao longo de dezenas de anos.

Cavaco Silva visita o resultado de um investimento de 13 milhões de euros, financiados pelo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), que arrancou no terreno há cerca de um ano e pretende mudar um dos cinco bairros-berço do Fado. O programa de reabilitação inclui ainda várias intervenções de carácter social e económico junto da população, dinamizadas por associações locais.

Segundo o Departamento de Marca e Comunicação da Câmara de Lisboa, a deslocação arranca às 16.45 horas, na capela de Nossa Senhora da Saúde (no Martim Moniz), com o presidente da República, o da Câmara, António Costa, "e respetivas esposas". O fim está marcado para o Miradouro do Mercado do Chão do Loureiro, onde decorrerá a receção oficial do Dia de Portugal.

Há dois dias consecutivos que o perímetro está a ser fortemente policiado - principalmente junto à antiga taberna da mãe de Severa (1820-1846), a apelidada fundadora do Fado - e as estruturas das festas de Santo António estão suspensas até que o cortejo acabe.

Ao JN, Maria João Correia, presidente da Junta de Freguesia do Socorro, onde se localiza a Mouraria, frisou que os protestos agendados, "por anarquistas", não estragarão a festa. "A população irá receber de forma digna e afetiva o presidente, mostrando a sua satisfação com a obra desenvolvida", salientou.

"Esse protesto parte de um grupo de elementos instalados ao lado da Severa, chamados de "Barbuda" (alcunha pela qual era conhecida a mãe da fadista). Tinham frases anarquistas contra tudo: o Fado, a moral ou os bons costumes. E, segundo parece, foram pintadas essas paredes", explicou a autarca, acrescentando que "apesar de pagarem a renda do espaço, isso não lhes dá o direito de escrever nas paredes".

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"Esta é a primeira visita de um presidente da República, que vem associar-se à enorme revolução que se levou e que está a levar a cabo na Mouraria. Não acho digno que se manche este trabalho", concluiu Maria João Correia.

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